Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 06/05/2021

Uma reportagem do Fantástico afirma que cerca de 200 crianças por dia vão a óbito devido ao coronavírus, especialmente após a diminuição da diferença entre os grupos de risco que foi trazida pela segunda onda de contaminação no país. No entanto, a morte não é o único perigo para as crianças; a perspectiva de estar vivendo um período de extrema tragédia e, simultaneamente, não obter qualquer contato social perturba os infantes e, sem dúvidas, causará efeitos negativos nos futuros jovens.

Primeiramente, vale destacar a tendência de diversos cientistas e historiadores em ver pandemias como acontecimentos cíclicos, ou seja, ocorrências que se repetem de tempos em tempos. Esse é um ponto que o sociólogo Nicholas A. Cristakis releva em seu trabalho mais recente, “Apollo’s Arrow”, para dizer que o impacto que essa crise mundial causará recairá, predominantemente, sobre as gerações mais jovens. Historicamente, houveram outras pandemias nos séculos anteriores que chegaram a deixar milhões de mortos, e as consequências psicológicas do luto afetaram as crianças e os adultos que elas se tornaram. Assim, não é inesperado que o contato tão prematuro com a morte cause, nesses jovens, uma grande sensação de desesperança e pessimismo que será refletida em suas filosofias, ideologias e em seus estilos de vida.

Além disso, é inegável que a falta de contato com outras pessoas da mesma faixa etária deixará uma lacuna na formação social e psicológica dessas crianças. Conforme revelado em uma matéria publicada pela Fiocruz, o isolamento pode trazer consequências graves, tanto no processo de aprendizado, quanto no de engajamento coletivo. Em outras palavras, o distanciamento que as aulas online trazem para os infantes prejudica a sua maneira de conhecer o mundo, por meio do tato e da visão, e de fazer amizades, uma vez que eles não encontram mais seus colegas ou professores. Dessa forma, é possível que, no futuro, seja necessária uma reconstrução das habilidades sociais da nova geração, e que seja dispensada mais atenção às interações que se realizarão após o fim da pandemia.

Em conclusão, tem-se que os efeitos da pandemia nos mais jovens podem ser devastadores se não ocorrer o cuidado necessário com eles. Portanto, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos atentar para a saúde mental das crianças. Isso pode ser feito por meio da criação de um programa nacional que disponibilize uma rede de psicólogos, terapeutas e profissionais habilitados a realizar ações pedagógicas. Além disso, o programa deve estimular a interação social entre pequenos da mesma faixa etária. A intenção de tal projeto é ensinar os infantes a lidar com o luto, que cresce à medida que membros familiares são perdidos, e disponibilizar um meio de aprimorar suas habilidades de comunicação. Dessa forma, o futuro do país, que reside nas crianças, será mais saudável.