Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 03/05/2021

Na pirâmide das necessidades humanas, de Maslow, está o relacionamento e a interação social, que são indispensáveis para a saúde da mente humana, principalmente a infantil, que está em progressivo desenvolvimento. Dessa forma, a falta do convívio com outras crianças e com o ambiente social ocasionado pelo isolamento, devido à pandemia do COVID-19, têm prejudicado os estudantes, não só no âmbito educacional, mas também social. Indubitavelmente, essa situação deve ser revertida para evitar danos psicológicos nessa faixa etária.

A priori, apesar da necessidade do isolamento para a contenção do vírus, os efeitos podem ser exacerbados, se não houver a administração equilibrada, que leva em conta as diferentes doenças a serem desencadeadas: a viral e as psíquicas. Nesse sentido, o ensino por meios virtuais tem sido majoritário, mas a aprendizagem foi defasada pelas dificuldades oferecidas por esse modelo, a exemplo da falta de atenção dos estudantes, o uso exagerado das telas e as provas e atividades feitas sem estudos e com consulta. Desse modo, não há uma educação efetiva, pois, segundo o sociólogo Pierre Bordieu, o ensino deve estar adequado às necessidades e ao capital cultural do aluno, para que seja verdadeiramente eficaz, o que não ocorre no ensino remoto, com a ausência da socialização entre professores e alunos.

Nesse contexto, o principal ambiente infantil é retirado e a criança vive um confinamento, o qual pode gerar danos permanentes, conforme a teoria da Tábula Rasa, de John Locke, que afirma que o indivíduo é resultado de suas experiências. Assim, a criança pode desenvolver traumas como a síndrome do pânico, que prejudica o paciente de sair de sua casa, de seu ambiente seguro e estar em lugares desconhecidos e interagir com pessoas que não são de seu convívio, visto que isso não foi exercitado na infância. Além disso, sintomas de depressão, ansiedade e irritabilidade, foram identificados em 27% das crianças entrevistadas por uma pesquisa da USP(Universidade de São Paulo), dado considerado altíssimo pelos especialistas e que é produto do confinamento.

Portanto, essa situação urge ser regularizada. Para isso, o Conselho Nacional dos direitos da criança e do adolescente (CONANDA), em parceria com o Ministério da Educação, deve iniciar o sistema híbrido de educação, de forma que os estudantes possam ir por poucos períodos semanais, a princípio, nas escolas, com todas as recomendações da OMS, para fazer atividades presenciais e socializar. Assim sendo, com a melhora gradual da contaminação pelo vírus, as aulas presenciais devem voltar progressiva e paulatinamente, a fim de conter o avanço da pandemia e preservar o bem-estar cognitivo dos jovens, com a responsabilidade de cuidar da saúde pública.