Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 04/05/2021
Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde caracterizou a COVID-19 como uma pandemia. Essa condição trouxe a necessidade de quarentena, distanciamento social e, consequentemente, o fechamento das escolas como medida de prevenção ao contágio. Nesse contexto, as crianças ficam vulneráveis aos efeitos nocivos da pandemia, como o risco ao seu desenvolvimento pleno, afetando sua socialização, bem como seu direito à brincadeira. Para minimizar tais efeitos, torna-se fundamental que pais e mães incluam as crianças na dinâmica da vida familiar, com diálogo e escuta.
Nesse sentido, é preciso destacar que o excesso de exposição a telas e a restrição de movimentos corporais fragmentam os domínios cognitivo, afetivo e motor no processo de constituição da pessoa. Contudo, tais domínios são considerados, por H. Wallon, como igualmente importantes no desenvolvimento humano. Isso, por sua vez, torna evidente os limites do ensino remoto emergencial, que pode até permitir a apropriação de conceitos, mas inviabiliza a experiência integral, na medida em que privilegia o aspecto mais racional em detrimento da corporeidade.
Ademais, J. Piaget demonstrou que a atividade sensório-motora é ponto de partida para a constituição e evolução do pensamento infantil. Assim, é a interação no ambiente que permite a construção de conhecimento na infância, para além da aprendizagem de informações desconectadas da vivência emocional e lúdica. Aqui, vale lembrar que a brincadeira é uma necessidade e um direito garantido pela Convenção dos Direitos da Criança.
Sendo assim, pais e mães devem construir com seus pequenos, na rotina familiar, um tempo dedicado a interações reais, longe das telas, com atividades simples, como preparar uma refeição, dialogar sobre as tarefas escolares e brincar. Essa parceria significativa contribui também para superação do adultocentrismo e fortalece toda a família no enfrentamento da pandemia.