Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 21/05/2021
Em 1516, com a obra “Utopia”, o autor inglês Thomas More destacou-se no campo literário mundial ao narrar a construção de uma ilha imaginária onde as mais diversas engrenagens nacionais trabalhavam em perfeita harmonia. Fora da literatura e sob análise de perspectivas contemporâneas, entretanto, nota-se que, cada vez mais, o Brasil afasta-se do sonho de alcançar tal eufonia: refém dos efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavíruas nas crianças, o país rompe o equilíbrio do corpo social. Dessa forma, seja pela deturpada construção histórica, seja pela leniência estatal, esse imbróglio desafiador é vigente. À vista disso, é essencial analisar e intervir sobre essa celeuma.
Nesse ínterim, a omissão social é fator determinante para manutenção dessa conjuntura. Sob essa égide, Michel Foucault, pensador francês, em sua teoria sobre a Microfísica do Poder, expõe que a normalização dos costumes parte de todas as instituições sociais. Partindo desse pressuposto, é fundamental destacar a escassez de conscientização, somada à falta de interação social, como fator catalisador dessa questão. Com efeito, a naturalização dessa conjuntura gera um círculo vicioso, uma vez que não há reflexão crítica por parte do contingente populacional. Então, a sedimentação social é reflexo da desordem estrutural.
Além disso, é fulcral pontuar a inoperância do poder público em cumprir seu papel de promotor do bem-estar social. Sob esse prisma, o pensador contratualista John Locke, em seu “Contrato Social”, afirma que o Estado deve promover meios para garantir a harmonia entre o meio coletivo. No entanto, a falta de políticas públicas no âmbito da saúde faz com que esse paradigma mantenha-se vigente. Em consequência disso, além dos riscos para a saúde física pelo covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus traz uma série de impactos negativos para a saúde mental. Logo, enquanto a negligência estatal for realidade, o Estado Democrático de Direito será utópico.
Portanto, faz-se necessário lançar ações para mitigar tal mazela. Dessarte, convém ao Poder Executivo, sobretudo na voz das prefeituras, promover uma ampliação concreta do setor da saúde, por meio de investimento financeiros- os quais serão resvestidos na especialização e na capacitação de profissionais da área e em melhorias na infraestrutura-, com vistas à consolidção de um meio permeado pela coexistência harmônica e eficaz entre legisladores e civis onde os direitos constitucionais serão garantidos e respeitados. Ademais, é dever da mídia em parceria com as escolas, propor debates e palestras virtualmente acerca dos impactos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus, com intuito de formar o senso crítico e de viabilizar a construção gradativa de uma sociedade mais harmônica. Desse modo, poder-se-á buscar uma realidade próxima à proposta por Thomas More.