Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 21/05/2021
“O Quarto de Jack”, é um filme baseado em história real que retrata a vida de Jack, um menino que foi mantido em cativeiro com sua mãe durante toda a infância, sendo impossibilitado de ter contato com o mundo fora do quarto. Longe das telas, percebe-se uma analogia entre a ficção e a realidade durante a pandemia do novo coronavírus, haja vista que assim como o protagonista da história, as crianças foram impossibilitadas de interagir com o contexto social, mitigando o desenvolvimento delas. Dessa forma, torna-se necessário compreender os efeitos desse dilema mundial.
Nessa perspectiva, tem-se a promoção do sentimento de individualização logo no início da vida dos cidadãos, haja vista que o crescimento ocorreu diante de uma realidade de relações sociais volatilizadas. Nesse viés, tem-se como fundamento o pensamento do sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, o qual explana a temática da modernidade líquida, que ocorre devido a efemeridade das relações, tornando a sociedade menos afetiva. Desse modo, nota-se que a falta de interação ocasiona uma redução nos laços sociais, sendo prejudicial a todos.
Ademais, tem-se os danos psicológicos desenvolvidos nas crianças, por meio do isolamento, como pertinente de análise. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto de Psiquiatria da USP, 27% das 7 mil crianças avaliadas apresentam sintomas de depressão durante a pandemia da COVID19. Diante disso, nota-se o agravamento da negativa situação de saúde da população brasileira, principalmente da camada mais jovem, que além ter a mesma vunerabilidade à doença, apresenta danos psicológicos graves que afetam o desenvolvimento do tecido social.
Portanto, torna-se pertinente que a família, por ser a primeira forma de socialização do indivíduo, amplie ainda mais a sua função, de forma a desenvolver nas crianças o interesse pela interação, promovendo jogos, brincadeiras, e diversão diárias com as pessoas que as crianças têm contato indispensável, a fim de reduzir o sentimento de individualização e os danos psíquicos dessa camada tão vulnerável que é a infantil.