Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 21/05/2021

O Estatuto da Criança e do Adolescente, conjunto de normas de ordenamento jurídico que visam a proteção dos infantes, aponta como direito fundamental o desenvolvimento físico, moral e social. Todavia, no que tange à situação da conjuntura atual, marcada pelo novo coronavírus, os efeitos da quarentena nas crianças têm sido percebidos de forma negativa, configurando-se como uma barreira  na legitimação da máxima assegurada pelo ECA. Tal fato é perceptível, ora na socialização, devido ao distanciamento da escola, ora nos transtornos psicossociais, devido ao contexto instável vivido.

Em verdade, com o isolamento social, as aulas tiveram que ser realizadas remotamente, o que a longo prazo contribuiu para que problemas de sociabilização fossem aparecendo nas crianças. Nessa perspectiva, quando no filme “Extraordinário”, produção que retrata a vida de Auggie, menino educado, inicialmente, em casa, é mostrado a inserção dele na escola, sendo exposto a amizades, bem como a inimizades e momentos de desconforto, é colocado em pauta um entrave do contexto vigente. Sob esse viés, é notório que são as circunstâncias proporcionadas no ambiente escolar que consolidam aspectos importantes da vida em sociedade, a exemplo da ampatia, da solidariedade e da liberdade, mas que, por causa da quarentena, os infantes estão privados. Assim, eles mostram-se , gradativamente, dependentes dos pais e inseguros, colocando em evidência o quanto o diálogo e o acompanhamento das aulas on-line realizado pelos responsáveis é urgente.

Outrossim, com o aparecimento da COVID-19 temas como a morte, antes reclusos aos adultos, passaram a se fazer recorrente na infância. Nesse hiato, a citação do filósofo alemão, Arthur Schopenhauer, que todo homem toma os limites do próprio campo de visão como os limites do mundo, insere-se nos conflitos psicossociais que os infantes estão vivendo, dentre eles a ansiedade, visto que, por não apresentarem maturidade ainda, muitas vezes, veem a morte como um estado de permanência, principalmente, se tiverem presenciado em pessoas próximas. Dessa maneira, é explícito a essencialidade de uma rede de apoio às crianças e aos adolescentes.

Destarte, com o intuito de mitigar as problemáticas supracitadas, é mister que a família, em parceria com a escola, insira-se, inteiramente, no processo de aprendizagem de seus integrantes, por meio de projetos escolares de distribuição de livros e fantoches aos pais. Além disso, é imprescindível o diálogo sobre a pandemia e o apoio a interação das crianças nas aulas remotas, a fim de atenuar os efeitos causados pela quarentena no desenvolvimento sociocultural dos infantes. Ademais, é impreterível que o Governo equipe os colégios com profissionais de saúde mental, com o fito de minimizar os transtornos psicológicos trazidos pelo isolamento.