Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 21/05/2021

Consoante ao filósofo grego Aristóteles, o ser humano é, sobretudo, um ser social, fato que explica, principalmente, que todos os cidadãos - independentemente da idade apresentada - necessitam das relações sociais para, então, constituirem-se como aptos à vivência saudável em sociedade.No entanto, com o surgimento da pandemia do novo coronavírus e com a posterior quarentena obrigatória em todo o Brasil, houve a redução das interações entre pessoas, dinâmica que afetou, de modo direto, o público infantil, uma vez que, ausente do ambiente escolar, esse é, infelizmente, vitimizado por diversos problemas, a exemplo dos latentes problemas psicológicos surgidos nessa faixa etária.

De fato, o isolamento social obrigatório, trouxe prejuízos significativos às crianças, sobretudo porque esse grupo necessita da convivência comunitária para que, desse modo, formem-se como indivíduos cognitivamente saudáveis.Partindo desse pressuposto, cita-se a Psicologia, visto que essa corrobora que a primeira infância - idade compreendida entre os 0 e os 6 anos de idade - é de extrema importância para o desenvolvimento dos alicerces de todo ser pensante - a exemplo da percepção de vida coletiva, o conhecimento sobre as próprias emoções e o desenvolvimento cognitivo saudável.Infere-se, portanto, que o isolamento social obrigatório, que acarretou o fechamento de creches e escolas em todo o solo nacional, contribui, até os dias atuais, com o enfraquecimento das relações sociais compreendidas como essenciais a essa faixa etária, dificultando, assim, a consolidação de sujeitos socialmente saudáveis e, desde a primeira infância, aptos à convivência em comunidade.

Além disso, cumpre ressaltar, que a quarentena ocasionada devido à pandemia do novo coronavírus afeta, de modo significativo, a manutenção da saúde mental de criancas em todo o Brasil.Em face disso, cita-se a Associação Brasileira de Psiquiatria, visto que, segundo essa, nos últimos meses (entre março de 2020 até os dias atuais) a demanda advinda do público infantil ascendeu de modo exponencial, uma vez que, distante do convívio social e, sobretudo, longe das atividades escolares presenciais, esse grupo desenvolveu, lamentavelmente, patologias psíquicas graves, como depressão, síndrome do pânico e ansiedade.Depreende-se, logo, que o o afastamento social causado devido às urgências sanitárias cooperou para o crescimento das demandas psicológicas do público infantil.

Evidencia-se, portanto, que o CAPS - Centro de Atenção Psicossocial - de todos os municípios deve agir, de  modo austero, no fornecimento de atividades que proporcionem melhorias na saúde mental de criancas (de 0 a 12 anos), por meio de programas que ofereçam visitações domiciliares, fornecimento de medicações psiquiátricas e, também,  a atuação quinzenal de psicoterapia ao público infantil.Desse modo, certamente, as mazelas causadas pela epidemia, no país, serão atenuadas.