Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 21/05/2021
“No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho.” É dessa maneira que inicia o famoso poema de Carlos Drummond de Andrade, o qual retrata um obstáculo durante a caminhada do eu lírico. Ao transceder os versos, hoje, percebe-se que “a pedra no caminho” impedindo a progressão normal da vida de crianças e adultos é o coronavírus. A partir desse contexto, é fundamental discutir as principais reverberações, tanto na educação quanto na saúde, do isolamento social na fase infantil.
Para entender o impacto da quarentena no cotidiano das crianças, deve-se constatar a dificuldade de acesso às atividades escolares. Isso acontece, sem dúvida, porque a desigualdade socioeconômica persistente no Brasil impede que todos os alunos do ensino básico, principalmente das escolas públicas, tenham condições de acessar às ativdades remotas. Dessa forma, ao tomar como base o pensamento do economista brasileiro Celso Furtado, para quem a principal causa dos problemas sociais do país é o subdesenvolvimento, entende-se que a problemática é ainda mais agravada pela pandemia, pois ela aumenta as disparidades econômicas e impossibilita que crianças tenham contato com um direito fundamental assegurado pela Constituição de 1888: a educação.
Nota-se, ainda, por conseguinte, os transtornos mentais que podem atingir as pessoas na fase infantojuvenil e perpetuar até a fase adulta. Tal questão ocorre, pois a quarentena acentuou o nível de estresse vividos pelos pais e sem saber como impedir atinge diretamente os filhos deixando-os também estressados e mais vulneráveis a desenvolver alguma doença mental, como ansiedade. Dessa maneira, o Brasil já sendo considerado o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS, pode aumentar consideravelmente o número de brasileiros afetados por essa doença quando a pandemia passar e for possível contabilizar a quantidade de jovens acometidos pelo transtorno.
Portanto, é preciso que o Poder Executivo Federal, mais especificamente o Ministério da Saúde, auxilie os pais e responsáveis a promover melhor qualidade de vida para as crianças, a fim de atenuar os efeitos da quarentena na vida delas. Esse auxílio pode ser feito por meio da criação de salas virtuais, com profissionais das áreas de pedagogia, de psicopedagogia e de psicologia infantil, para orientar os adultos que cuidam da rotina dos jovens da melhor forma com o intuito de promover um isolamento social mais saudável e sem grande comprometimento educacional. Afinal, a pedra que estava no meio do caminho deve ser retirada.