Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 21/05/2021
Com casos iniciais apontados em dezembro de 2019, a doença do novo coronavírus (COVID-19) alastrou-se pelo mundo rapidamente, o que resultou na configuração de um quadro pandêmico. Nesse sentido, apesar de ser uma medida preventiva importante e necessária, a quarentena apresenta efeitos negativos notórios, em especial ao grupo infantil. Destarte, destaca-se que o isolamento completo da criança nessa realidade acarreta, a longo prazo, consequências maléficas ao seu desenvolvimento.
A priori, é relevante pontuar a tendência do surgimento de quadros comportamentais de preocupação, de desatenção e de desconforto em situações de privação do convívio social. Sob esse âmbito, “As virgens suicidas”, filme estadunidense de 1999, ilustra o gradual definhameto de quatro jovens em vista à sua forçosa estadia domiciliar como uma forma de punição. Analogamente, assim como retratado no ficção, o confinamento previsto na dinâmica hodierna impossibilita a consolidação de atividades fundamentais, a exemplo do convívio com amigos no meio estudantil. Logo, sem a devida assistência parental, a criança é mais suscetível à adoção de hábitos degradantes caracterizados pela irritabilidade e pela carência afetiva.
A posteriori, como reflexo da continuidade dessa realidade, sequelas passam a ser iminentes. Por essa óptica, de acordo com o psicanalista austríaco Sigmund Freud, os eventos traumáticos vivenciados na infância têm uma carga determinante na consolidação identitária do indivíduo adulto. Posto isso, a vivência desacertada da quarentena — como a desregulação do sono e do apetite e o uso excessivo de mídias digitais pelo grupo pueril — reverbera no desencadeamento de debilitações psicossocias, as quais, potencialmente, são convertidas em quadros clínicos de ansiedade e de depressão, visto que o momento analisado é de considerável agitação psicológica.
Diante disso, a viabilização da passagem harmônica das crianças pelo período da pandemia do novo coronavírus é primordial. Assim, urge que o Estado, por meio do poder veiculativo de grandes mídias como a televisão e as redes sociais, promova a intensificação de campanhas orientativas aos cidadãos brasileiros no que concerne ao acompanhamento infantojuvenil no período de isolamento social. Nesse projeto, será explicitada a imprescindibilidade do apoio dos pais na rotina do lar, com a inserção de atividades recreativas lúdicas adaptáveis à condição de cada família, a fim de que, a partir do estabelecimento do diálogo e da compreensão, os impactos negativos da quarentena sejam minimizados para a juventude do país.