Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 08/07/2021
No filme “O Quarto de Jack” é contada a história de Joy e seu filho, que vivem isolados e mantidos em cativeiro dentro de um cômodo durante sete anos, o filme mostra a inconformidade do menino de cinco anos em entender como funciona o mundo exterior e suas relações sociais. Fora da ficção, os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças são presentes na contemporâneidade e devem ser discutidos. Nesse sentido, compreende-se que a quarentena trará consequências graves para a educação, como o déficit no aprendizado primário dos alunos de rede pública e adversidades em futuros relacionamentos destas crianças com outros colegas.
Sob essa perspectiva, evidencia-se que o afastamento das atividades escolares pode gerar sérios problemas na formação infantil. De acordo com uma simulação feita através dos dados da Secretaria de Avaliação da Educação Básica, devido à quarentena, estima-se que o ensino nas escolas brasileiras terá uma perda de três anos em disciplinas como português e matemática. Dessa forma, os estudantes terão maior dificuldade em compreender assuntos dos anos seguintes, pois não terão a base necessária. Logo, caso o governo não tome atitudes interventivas, em decorrência dos anos perdidos, a educação brasileira denotará altos índices de evasão escolar e analfabetismo.
Ademais, o ambiente escolástico é imprescindível para que as crianças desenvolvam a capacidade de trabalhar em grupo e adquiram noções básicas de interação social. Segundo um estudo da Universidade Federal Fluminense, com o isolamento social, meninos e meninas entre 2 e 5 anos apresentaram maiores privações quando expostas ao relacionamento interpessoal familiar durante a quarentena. Desse modo, com o retorno do ensino presencial, esses alunos enfrentarão desafiadores obstáculos em se relacionar com seus colegas. Infere-se, portanto, a necessidade de que pedagogos desenvolvam atividades que facilitem a readaptação dessas crianças na escola.
Diante do exposto, compreende-se que a defasagem no ensino e as dificuldades nas relações sociais causadas pela pandemia são problemáticas que necessitam ser premeditadas e solucionadas. Assim, faz-se necessário que o Ministério da Educação juntamente aos educadores de todo o Brasil elaborem políticas educacionais que visem estabelecer atividades extracurriculares de recuperação, por intermédio da iniciativa privada e inserindo dias letivos adicionais no calendário escolar, de modo a preencher lacunas que ficaram em matérias menos dominadas pelos alunos. Outrossim, é importante que profissionais da psicoterapia infantil auxiliem os pedagogos a realizarem exercícios que incentivem o desenvolvimento e readaptação social de alunos da educação infantil, através de investimentos governamentais e com o intuito de amenizar as consequências do isolamento.