Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 01/07/2021

De acordo com a Veja Saúde, em um levantamento realizade entre as crianças e adolescentes da cidade de Xianxim, 32% dos 320 avaliados apresentaram desatenção, como também, 29% desse total apresentou preocupação. Tais resultados são considerados consequências indiretas da pandemia, devido ao isolamento social. O período infante, de acordo com a psicologia, é uma fase essencial para o desenvolvimento das habilidades sociais de um indivíduo. Considerando tais dados, evidencia-se clara a necessidade de ações que visem a mitigação de possíveis sequelas nas crianças.

Contudo, como uma forma de tentar manter uma certa rotina de socialização para as crianças, muitas escolas aderiram ao Ensino a distância (EaD). Porém, o cúrriculo escolar não acompanhou as mudanças ocorridas no modo de ensino, se mantendo o mesmo durante o EaD. Essa estagnação na grade curricular acaba por cobrar de nossas crianças que elas atinjam os mesmos resultados que tinham antes da quarentena. Tal cobrança acaba por ser prejudicial, pois, a partir do momento em que essas crianças nao atingirem as expectativas -devido aos efeitos psicológicos supracitados- acabam por desenvolver problemas que podem levar a uma futura ansiedade. De acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) algumas mudanças comportamentais observados nas crianças durante a pandemia são: dificuldades de concentração, irritabilidade, medo, inquietação, entre outros.

Portanto, se como diria Émile Durkheim, a escola é uma das instâncias de socialização, a partir do momento em que ela causa efeitos negativos nas crianças, ela está falhando para com seu papel social. Logo, evidencia-se clara a necessidade de uma escola que preze mais por seu caráter social, em detrimento da sua função conteudista. Pois assim, mesmo durante um período de isolamento social, as crianças manteriam laços afetivos com seus colegas e professores de uma forma saúdavel, que não implicaria em uma cobrança de produtividade. A partir da manutenção dos laços afetivos das crianças com individuos além de seus pais, os efeitos colaterais do isolamento social que afeta as crianças, acabariam por serem mitigados, assim garantindo que, quando ocorrer o fim da quarentena, as crianças não acabem por ter sequelas sociais.

Portanto, é fundmental que haja uma maior valorização da manutenção dos vínculos sociais das crianças. Para atingir esse objetivo, o Ministério da Educação deve estimular todas as escolas que aderiram ao EaD a reavaliar sua grade curricular. Desse modo, as mesmas devem implantar atividades que auxiliem no desenvolvimento das capacidades sociais das crianças e na manutenção saúdavel das relações com seus colegas e professores, assim mitigando efeitos decorrentes do isolamento social.