Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 19/07/2021
Como um dos pilares da sociologia, o processo de socialização forma o carácter de quem o pratica, moldando, indiretamente, a cada contato humano tido. Ademais, a biologia também explana que os conhecimentos obtidos no ínicio da vida serão reproduzidos até o final dela. Com isso, relacionando ambas as premissas citadas, é possível analisar que o contato humano e os aprendizados advindos do processo de socialização durante a infância, são de suma importância. Todavia, com a pandemia do novo coronavírus, os efeitos da pandemia nas crianças pode se mostrar ainda mais prejudicial que era imaginado. Prender uma criança em casa, na medida que respite o isolamento, é o mesmo que não permitir que ela não faça na infância o que é de se esperar, conhecer e brincar com outras crianças. Logo, é necessário analisar que alguns frutos ruins desse isolamento estão se formando. Desse forma, entre esse frutos, a não obtenção de valores culturais e a possível anomia social gerada, se destacam.
Em primeira instância, entender que o processo de assimilação de cultura se dá a partir de contato com outras pessoas, é a referência do problema gerado. Limitar a saída das crianças, é o mesmo que não permitir que elas recebam cultura, pois, seguindo a sociologia, dentro dos processos de socialização secundária - socializações não familiares - a escola é a maior instituição. Outrossim, esta não é a maior instituição apenas por estipular regras e manter os alunos em harmonia, mas sim, por colocar em contato crianças de mesmas idades e formações diferentes, obrigando-as a conviverem e se aceitarem. Visto isso, na medida que se prende as crianças em um processo de isolamento, a assimilação de cultura nos anos mais fundamentais - premissa biológica - deixa de existir.
Em segunda instância, deve-se entender que o problema gerado pela má formação cultural na infância acarreta em um outro ainda maior. Como citou o sociólogo Durkheim, a anomia social é um problema cultural, sendo gerada a partir da falta dela ou pela não adesão à mesma. Todavia, observando o primeiro caso, se reflete que não incentivar a socialização na infância irá acarretar em uma anomia dos que não absorveram corretamente a cultura. Não obstante, ainda em seus estudos, Durkheim associou processos com a ideia da anomia, dentre eles, a ansiedade, depressão e suicídio.
Dessarte, ao entender a gravidade do problema gerado, se mostra a necessidade de intervir no tema. Logo, cabe ao Ministério da Educação e da Cultura, promover um novo programa social o qual, através dos meios de comunicação, chamem os pais das crianças para aprenderem um pouco sobre o tema. Visando assim, ensinar como se pode manter um processo de socialização secundário sem ter a escola como intermediário. Vale ainda ressaltar, que este programa deverá ser feito com profissionais da área da sáude e das ciências sociais, pois, são eles os competentes a ensinar tudo que tangencia o tema.