Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 29/07/2021

No ano de 2020, iniciou-se a pandemia pelo “Covid-19”, vírus que ataca o sistema respiratório humano. Com isso, para mitigar tal problemática, os países determinaram a quarentena, isto é, o ato de ficar em casa como medida restritiva. Todavia, tal ação, embora benéfica para conter a doença, promoveu efeitos negativos na vida de crianças.  Portanto, é necessário o debate acerca do assunto.

Em primeira análise, o confinamento intensificou a “Modernidade Líquida”. Segundo o conceito, proposto pelo sociólogo Zygmunt Bauman, a sociedade hodierna possui relações sociais imediatas. Partindo do pressuposto, com o início da quarentena, as crianças, que antes possuíam rotinas sociáveis, como frequentar escolas e creches, passaram a realizar ações cotidianas, como assistir à aulas, em casa. Entretanto, fez com que as relações interpessoais entre os jovens reduzisse, promovendo diversas problemáticas para eles, visto que, a medida restritiva ocorreu de forma rápida. Prova disso é que, de acordo com estudos da província chinesa Xianxim, a pandemia promoveu problemas psicológicos nos indivíduos de pouca idade, como dependência excessiva dos pais. Logo, tal pesquisa denota as consequências da falta de conexões sociais que, antes da disseminação do vírus, os pequenos possuíam.

Em segunda análise, a desigualdade social intensifica as problemáticas proporcionadas pela pandemia. De acordo com Paulo Freire, em seu livro “Pedagogia do Oprimido”, os conflitos sociais da contemporaneidade contrariam a cultura de paz. Seguindo tal linha de raciocínio, com a necessidade do confinamento, as condições de vida de crianças que habitam as periferias das grandes cidades tornaram-se mais vulneráveis. Ou seja, além de sofrerem os problema advindos da medida restritiva, como a diminuição de relações sociais, tais indivíduos estão sujeitos a outros conflitos sociais, como segregações socioespaciais e à falta de medidas governamentais, como saneamento básico. Desse modo, reações emocionais e alterações comportamentais tendem a serem mais frequentes e intensas

em jovens que habitam as periferias, pois enfrentam divergências sociais aliadas com a quarentena.

Em suma, com base no exposto, a pandemia e a quarentena promoveram efeitos negativos na vida de crianças. Para mitigar as alterações comportamentais em tais indivíduos, é necessário que pais e cuidadores promovam encontros virtuais entre seus filhos, a fim de que eles mantenham as relações interpessoais pré-pandemia e, dessa forma, não desenvolvam problemas relativos à falta de conexões sociais. Além disso, os governos das grandes cidades devem investir em áreas periféricas com o fito de atenuar os efeitos do confinamento na vida de jovens de camadas sociais mais baixas. Somente assim, a sociedade torna-se-á mais justa e igualitária, e que conseguirá passar pela situação pandêmica.