Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 03/08/2021
No final de 2019, na China, eclodiu um surto de infecção por um vírus pouco estudado pela medicina até então, denominado COVID-19. Devido a sua alta taxa de infectabilidade, esse micróbio espalhou-se rapidamente pelos continentes, configurando um quadro de pandemia que exigiu medidas drásticas para a contenção dos danos, como o isolamento social, o qual alterou o estilo de vida de toda a sociedade, incluindo as crianças, que tiveram afetadas não apenas a sua sociabilidade, mas também o seu desenvolvimento cognitivo. Para que esses problemas não perdurem no Brasil, atitudes devem ser tomadas.
Um primeiro aspecto responsável pela problemática consiste nas consequências da privação do convívio social aos infantojuvenis. Esse convívio é essencial aos seres humanos, uma vez que a preservação da sua espécie, segundo as teorias evolucionistas, demandavam a vida em grupo. Assim, quando privados desse contato, os indivíduos têm dificuldade de desenvolver habilidades inerentes à socialização, como a empatia e a solidariedade, bem como são menos expostos a situações que moldam a sua personalidade ao, por exemplo, resolver problemas e tomar decisões com autonomia, o que pode resultar em crianças mais inseguras e dependentes dos cuidadores.
Ademais, vale ressaltar que os empasses ao ensino a distância no Brasil corroboram a continuidade do problema. Na década de 1930, o então presidente Getúlio Vargas desenvolveu uma política de substituição de importações que ocasionou a industrialização, sobretudo, do Sudeste brasileiro. Por conseguinte, a urbanização dessa região se deu de forma acelerada com relação às demais, o que resultou num acesso desigual aos benefícios proporcionados pelos centros urbanos, como a internet. Em situação de educação remota, como na pandemia do coronavírus, a heterogênea disponibilidade dessa ferramenta significa, também, desigualdade no desenvolvimento intelectual dos alunos, o que pode afetar a economia do país quando estes compuserem a População Economicamente Ativa (PEA).
Faz-se necessária, pois, com o intuito de atenuar esse quadro, a ação do Governo Federal, por intermédio das Prefeituras Municipais. Estas devem incentivar a socialização de crianças em meio à pandemia, por meio da promoção de eventos online para a realização de atividades, por exemplo, de entretenimento e de caráter educativo, a fim de que os impactos da pandemia na sociabilidade desse grupo sejam mitigados. Além disso, o Ministério da Ciência e da Tecnologia deve aumentar a cobertura de internet, principalemente nas regiões interioranas, mediante realização de parcerias público-privadas, para garantir uma melhor formação educacional aos atuais alunos e futuros contribuintes do desenvolvimento econômico do Brasil.