Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 21/08/2021

“Não são as crises que mudam o mundo, e sim nossa reação a elas.” O alerta de Zygmunt Bauman, filósofo e sociólogo polonês, faz-se essencial no atual contexto de pandemia, em que a população mundial, dado a gravidade da situação, encontra-se socialmente isolada. Sob essa perspectiva, há impasses para reduzir as consequências da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças, ora pela vulnerabilidade emocional dessa população, ora pelo uso excessivo das tecnologias, o que torna urgente expor e viabilizar medidas para atenuá-los.

Em primeira análise, é imperativo pontuar que a fragilidade emocional da parcela mais jovem da sociedade potencializa o isolamento fomentado pelas medidas protetivas, o que compromete gravemente a sua formação psicossocial, visto que tal processo é diretamente afetado pelas interações interpessoais. Segundo reportagem da revista “Veja”, uma pesquisa realizada na China revelou, como efeito imediato da pandemia, uma série de distúrbios psicológicos, como insônia e falta de apetite. Nessa perspectiva, Guilherme Polanczyk, professor de psiquiatria na Universidade de São Paulo, recomenda que a família esteja apta a reconhecer os sinais de ansiedade e outros transtornos, de modo a promover um espaço consciente e saudável para as crianças. Assim, é mister que a participação da família afirme-se na práxis, a fim de ampliar a segurança emocional dos indivíduos em foco.

Outrossim, é categórico postular que o uso intenso das tecnologias e redes de comunicação constitui uma das principais consequências da quarentena na infância. Tal fato pode ser explanado pela inserção dos dispositivos móveis nas atividades cotidianas. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), de acordo com o jornal “BBC”, reforça a necessidade de limitar a exposição às telas e dispositivos digitais, a fim de preservar a saúde mental dos pequenos. A SPB também lembra que é preciso estar atento aos prejuízos da alta exposição, especialmente no campo educacional, já que o desgaste cognitivo pode interferir nas atividades escolares transferidas ao ambiente digital. Logo, é substancial que haja a conscientização da sociedade e da família acerca da interferência do excesso tecnológico no desenvolvimento infantil, de modo a evitar distorções prejudiciais à formação dos cidadãos.

Em síntese, urge que medidas sejam implementadas para mitigar o quadro em questão. Portanto, cabe ao Governo Federal, em parceria com instituições de saúde, promover, por meio de investimentos públicos, uma cartilha nacional de atenção infanto-juvenil, para instruir e direcionar a família e a comunidade à ações responsáveis e efetivas de proteção à saúde das crianças. A conscientização do tecido social acerca de sua participação na formação psicossocial da parcela mais suscetível, além das consequências de sua inércia, é fundamental para, como Bauman sugere, reagir e superar crises.