Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 06/09/2021
De acordo com Thomas Hobbes, filósofo contratualista, o Estado deve manter o bem-estar social dos cidadãos. Entretanto, no contexto de pandemia do coronavírus, as crianças não foram alcançadas plenamente por esse preceito, uma vez que foram afetadas pela redução tanto da socialização, quanto da educação. Destarte, é fulcral destacar profundamente esses efeitos, a fim de que seja possível mitigá-los e permitir que tal grupo possa desfrutar dos benefícios da infância.
Em primeiro plano, vale analisar que a pandemia impacta diretamente no convívio das crianças com outras pessoas. Segundo Aristóteles, filósofo ateniense, é da natureza do homem viver em sociedade, pois é de sua natureza ser um animal social. Sob essa perspectiva, ao limitar o contato dos mirins com indivíduos diferentes, impede-se o desenvolvimento das habilidades socioemocionais, o que resultará em pessoas que não possuem, por exemplo, empatia, paciência e respeito. Por conseguinte, a longo prazo, a restrição de relacionamentos interpessoais fará com que os infantos não só percam a capacidade de socialização, mas também tornem-se mais intolerantes com os que são diferentes deles.
Ademais, em segundo plano, é lícito destacar os malefícios do isolamento social para o aprendizado das crianças. O advento da pandemia forçou as escolas a adotarem medidas imediatas contra a disseminação da doença, de modo que o meio virtual foi escolhido para dar continuidade às atividades escolares. Entretanto, tal medida não foi eficiente para o ensino das crianças, haja vista que elas não possuem filtros adequados para o uso responsável da internet, de maneira que, durante as aulas, muitos deles usavam essa ferramenta para outro fim : vídeo no Youtube ou jogos online. Outrossim, a quarentena teve um efeito ainda mais grave para os infantos mais pobres, pois, muitas vezes, não possuíam o básico -celular, computador- para assistirem às ministrações
. Torna-se claro, portanto, que o isolamento social é extremamente prejudicial às crianças. A fim de reduzir esses efeitos, é fundamental que o Ministério da Cidadania promova campanhas, disponibilizadas em todos os meios midiáticos, direcionadas aos pais, incentivando a socialização dos filhos com outras pessoas- a partir do meio digital e do contato físico- respeitando as medidas de contenção da COVID-19, por meio de vídeos que mostrem a importância convívio com o outro ao desenvolvimento dos mirins. Concomitantemente, é fundamental que o Ministério da Educação (MEC) direcione os professores a oferecerem aulas mais interativas e interessantes para esse público, com o fito de “prender" a atenção deles e forneça as ferramentas básicas aos mais pobres, por meio do repasse de verbas da União, eliminando a desigualdade ao acesso. Dessa maneira, o Estado, ao mitigar os malefícios da pandemia, dará um primeiro passo para oferecer bem-estar para esses cidadãos.