Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 09/09/2021

O filme “O quarto de Jack”, lançado em 2015, aborda a triste história de um menino que cresceu dentro de um quarto, convivendo apenas com a mãe e acreditando que aquele cômodo era a única realidade existente. Fora da ficção, na conjuntura de pandemia do coronavírus, diversas crianças foram obrigadas a ficarem enclausuradas em seus lares, de modo que esse lugar se tornou a única vivência possível. Destarte, é fulcral destacar que a criação de frágeis bolhas sociais, que dificultam o estreitamento das relações, e a dificuldade no aprendizado são efeitos da quarentena para os infantos.    Em primeiro plano, é lícito evidenciar que o isolamento social, ao limitar o contato com outros indivíduos, faz com que as crianças fiquem limitadas a visões de mundo unilaterais. Segundo a “Cognição Preguiçosa”, conceito da sociologia, pessoas que têm acesso a informações parciais tendem a ser manipuladas. Assim, os infantos, que perderam o convívio com indivíduos de fora de seu núcleo familiar, durante a pandemia, passam a lidar apenas com a realidade e com os ideais que seus pais lhes transmitem, de modo que, por exemplo, qualquer preconceito implícito ou explícito que os adultos possuem será transmitido aos seus filhos. Por conseguinte, os mirins são cercados de noções fictícias sobre a vida ao seu redor, o que permite que entrem na bolha social criada pelos seus mentores e reproduzam o comportamento deles, situação explicada pelo conceito de Aristóteles sobre as mímesis.     Ademais, em segundo plano, convém salientar que a quarentena afetou o aprendizado das crianças. Sob esse viés, a mudança de aulas físicas para remotas, sem uma devida educação digital, foi prejudicial para os mirins, uma vez que estes não possuem filtros contra as diversas possibilidades lúdicas da internet, de maneira que é natural que eles tenham dificuldade em manter o foco nos professores, quando se tem diversas atividades interessantes e divertidas - jogos e vídeos no youtube- presentes na internet. Prova disso está no estudo encomendado ao Datafolha o qual afirma que 51% dos estudantes de escola pública, na idade de alfabetização, não aprenderam nada de novo durante a pandemia.

Portanto, a fim de reduzir os efeitos da quarentena às crianças, é primordial que o Ministério da Cidadania promova campanhas, presentes em todos os meios digitais, que incentivem os pais a permitirem o contato físico- respeitando as medidas de contenção da COVID-19- e virtual dos filhos com outros indivíduos, por meio de vídeos que demonstrem a importância dos relacionamentos nessa faixa etária. Outrossim, o MEC deve orientar os professores a oferecem aulas mais interessantes e lúdicas aos mirins, com o fito de “prender” a atenção deles. Dessa forma, o Estado mitigará os impactos do isolamento e permitirá que a história de Jack fique restrita à ficção