Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 01/11/2021

A famosa música da banda Pinky Floyd “No education”, foi concretizada entre as crianças que tinham a sorte de obtê-la no Brasil. Ao mesmo tempo, outras que iam para escola conseguir a primeira refeição do dia, começaram a passar fome. Não foi a revolução e nem a pobreza: foi a COVID19.

É na infância que nos desenvolvemos através de interações sociais como, se comunicar, regular emoções e ter autonomia sobre os próprios pensamentos. Mas graças ao vírus, ela foi prejudicada e crianças acabaram confinadas em casa sem a convivência com os amigos, rotina e os estímulos necessários. Vivemos em uma sociedade que não as respeitam. Por exemplo, um ataque de ansiedade é visto como birra, a necessidade de atenção como manha e até um episódio depressivo como má vontade. Crianças autistas, surdas e com TDAH deixam de ter acesso ao suporte escolar, que garantia a sua aprendizagem. Tudo acabou ficando nas mãos de pais trabalhadores ou mães solos sobrecarregadas, que por estarem cansados não conseguem lidar com os problemas e necessidades dos filhos. A solução são as telas por mais tempo do que o necessário, garantindo o silêncio e a obediência. As que já viviam sem acesso à internet perdem o pouco que tinham na escola e outras que iam pela merenda escolar passam fome em sua casa. O silêncio da tecnologia será pago, criando crianças que não sabem mais interagir sem o auxílio de celular, com dificuldade de manter a concentração em um livro e usar a imaginação. O tédio é o criador das maiores aventuras mas com o celular ele é praticamente extinto. Apesar dos aplicativos educativos nada substitui um professor e por em prática os seus conhecimentos, seja com os colegas ou mundo afora. Crianças que perderam as aulas se ficarão para trás daquelas que a tiveram distancialmente. Surgirão adultos disfuncionais com péssima habilidade de se comunicar, com a incapacibilidade de formar uma opinião própria e dependendo da constante validação que a internet oferece.

Portanto, cabe o Estado que se mostrou ineficiente em uma pandemia, por meio do Ministério da Saúde, disponibilizar psicólogos infantis nas escolas públicas que lhes garantissem o suporte e acolhimento necessários. Não esquecendo do Ministério da Educação e o Governo Federal, criando um programa que pagaria as famílias uma bolsa de pelo menos 200 reais ao mês para financiar os estudos e acesso à cultura.