Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 24/02/2022

Claramente, as medidas restritivas impostas por essa pandemia têm afetado a saúde mental de pessoas de todas as idades. No entanto, nas crianças, além do desgaste emotivo oriundo de tais limitações, estão sendo constatadas outras dificuldades, como o comprometimento do senso de autonomia dos pequenos e o atraso no aprendizado escolar. Diante disso, é de extrema importância a criação de uma rede afetiva que acolha as particularidades por que passa essa infância.

A princípio, todos estamos sujeitos a momentos de tensão em nossas vidas. Com base nisso, o surgimento do estresse não representa um mal em si mesmo. Ele, na verdade, desempenha um papel fundamental na evolução humana, pois é por meio dele que, fundado nas percepões de fuga e de enfrentamento, tomamos algumas decisões. Por outro lado, a hipótese de sujeição a um estado de alerta contínuo e sem prazo para acabar pode desencadear danos à saúde. Nesse sentido, numa pesquisa realizada com 320 crianças e adolescentes durante a quarentena, na província chinesa de Xianxim, foi constatada excessiva dependência dos filhos em relação à parentalidade, pedidos por chupetas e apelos para dormir à noite na cama com os pais.

Tal regressão comportamental, com evidente impacto no amadurecimento da autonomia dos pequenos, associada à falta de recursos para a adoção da educação remota, segundo a Folha de São Paulo, levaram o Brasil, nesta pandemia, ao número de 41% de crianças entre 6 e 7 anos sem saber ler e escrever, sendo, desse grupo, 44,51% pretas e pardas e 51% de baixa renda. Em 2019, antes da crise sanitária, para efeitos de comparação, o registro era de 25,1% de crianças brasileiras não alfabetizadas, sendo 28,8% de pretas e pardas e 33,6% de baixa renda.

Em resumo,