Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 02/06/2022

A Constituição Federal de 1988 tornou possível, pela primeira vez no Brasil, a vigência de uma legislação democrática, garantindo a plenitude dos direitos civis e sociais. Entretanto, essas prerrogativas foram mitigadas na pandemia do novo coronavírus, tendo a quarentena causado efeitos adversos especialmente nas vidas das crianças. Nesse contexto, é importante ressaltar as implicações do distanciamento social e o impacto no desenvolvimento das crianças.

Primeiramente, o distanciamento social imposto durante a quarentena gerou uma nova realidade para os pequenos. Segundo a teoria do Fato Social, defendida pelo cientista político francês Émile Durkheim, em sua obra “As regras do método sociológico”, a sociedade precede os indivíduos e age sobre eles, determinando suas formas de ser, de agir e de pensar. No entanto, com o afastamento social exigido pela pandemia, os relacionamentos sociais perderam espaço para o individualismo no dia a dia infantil. Por conseguinte, as crianças se tornaram mais autocentradas e acostumadas a interagirem com outras apenas à distância, por meio da internet, fato que fez com que as interações virtuais sobressaíssem sobre as reais.

Ademais, houve um significativo impacto no desenvolvimento das crianças. De acordo com o filósofo inglês John Locke, em sua obra “Ensaio acerca do entendimento humano”, a mente humana é uma tábula rasa, análoga à ideia de uma tela em branco. Nesse viés, a pessoa é influenciada pelo meio em que vive, sendo a mente preenchida pelas experiências vividas. Assim, uma criança criada sob os efeitos da quarentena e da pandemia do coronavírus tende a internalizar esse modo de vida e pode apresentar dificuldades para voltar à vida normal no cenário pós pandêmico, bem como apresentar transtornos psicológicos relacionados.

Logo, é imprescindível a tomada de soluções. Desse modo, cumpre ao governo, órgão responsável pela manutenção do bem-estar social, intervir, por meio de políticas públicas, como a vacinação em massa, com o fito de minimizar a duração da pandemia e da quarentena. Concomitantemente, cabe aos pais cuidarem das crianças, a fim de mantê-las mentalmente saudáveis.