Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 16/08/2022
Segundo Emile Durkeim, sociólogo francés, os fatos sociais podem ser normais ou patológicos. Seguindo essa linha de raciocinio, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe toda a harmonia social, visto que um sistema corrompido não favorece o progresso coletivo. Infelizmente, no Brasil, existem diversas dessas situações de disfunção, dentre elas, os efeitos da quarentena do coronavírus nas crianças. Faz-se, então, pertinente debater acerca de tal assunto, considerando a luta contra a ignorância e a negligência governamental.
Em primeiro plano, O Mito da Caverna de Platão já metaforizava, desde o século IV a.C. sobre os homens que não querem sair de suas “cavernas”, por serem suas zonas de conforto. Em paralelo ao pensamento do filósofo, muitos ainda se recusam a buscar informação ou, até mesmo, aceitar o que é passado por especialistas, em foco, em relação à negativa reação dos pequenos quanto ao isolamento. Diante disso, à medida que a desinformação se espalha, cada vez mais pessoas acreditam que os menores não correm risco de serem afetados.
Em segundo plano, a Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante a todas as pessoas o direito à saude, inclusive para os que tem menos de 12 anos, mas, em contrapartida, o governo dificilmente já disponibilizou políticas públicas para que a população pudesse usufruir, tampouco se preocupou em divulgar incentivos ao combate dos possíveis transtornos que podem ter surgido nas crianças no período descrito. Tal realidade, somada a falta de preocupação de significativa parcela da população, revela- se uma problemática persistente na atualidade.
Potanto, urge a extrema necessidade de alteração estrutural para que a mácula seja resolvida. Cabe ao governo federal, na figura do Ministério da Saúde, proporcionar clínicas voltadas à psicologia infaltil a fim de mitigar os graves efeitos vindos da pandemia . Tal programa deve ser custeado e aprovado pela corte de contas de cada estado, para entrar em vigor a partir da abertura de concursos públicos para decidir quem serão os psicólogos e psiquiatras infantis selecionados. Por conseguinte, o elemento patológico que prevê o sociólogo Émile Durkeim seria resolvido e voltaria à harmonia social, favorecendo o progresso coletivo.