Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças
Enviada em 28/08/2022
No filme “Enrolados”, a protagonista, Rapunzel, que foi sequestrada de sua fa-mília quando era bebê, é obrigada a viver em confinamento em uma torre, e no seu aniversário de 18 anos, decide fugir, porém, como ela nunca teve contato com o mundo exterior, não sabe como lidar com ele. Na sociedade brasileira, a realidade das crianças, que tiveram seu desenvolvimento afetado assim como Rapunzel, é alarmante. Assim, torna-se relevante pensar no descuido em manter a saúde infantil e no impacto da falta de convívio social durante a pandemia.
Antes de mais nada, é necessário ressaltar que os direitos básicos das crianças foram negligenciados durante a epidemia da COVID-19. De acordo com artigo 227 da Constituição, é dever da família e do estado assegurar a saúde mental e física das crianças para que elas possam se desenvolver plenamente. Porém, esses deveres não foram cumpridos, visto que, segundo o Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e estatística), cerca de 6% das crianças sofreram com a fome durante a pandemia. Portanto, fica claro que o desenvolvimento físico infantil foi negligenciado durante essa fase.
Ademais, é possível destacar a importância do ambiente escolar, assim como outros locais de convivência. Sob essa ótica, é possível citar Mari Maria, influenciadora digital que relatou ter ficado preocupada com seu filho, devido a atrasos de fala, mas que, ao procurar ajuda médica, descobriu que isso se devia ao fato dele ter poucos estímulos, por ter crescido em meio à pandemia e não ter contato com outras pessoas. Esse caso é um dos muitos entra as famílias brasileiras que presenciaram um déficit no aprendizado de seus filhos.
Em suma, é necessária a tomada de ações para que as falhas cometidas durante a pandemia não continuem a afetar as crianças. Portanto, é dever do Ministério da Saúde, órgão responsável por implementar políticas de saúde pública, em conjunto com o Ministério da Educação, diminuir as consequências da pandemia sobre as crianças por meio de projetos e campanhas que estimulem o desenvolvimento delas. Somente assim, a realidade enfrentada por Rapunzel, não será a mesma enfrentada pelas crianças brasileiras em suas vidas adultas.