Os efeitos da quarentena e da pandemia do novo coronavírus nas crianças

Enviada em 14/09/2023

No filme “Enrolados”, a mãe da Rapunzel a tranca dentro de uma torre isolada de contato humano por 17 anos e quando ela foge, percebe que carece de habilidades sociais. Fora da ficção, é possível estabelecer um paralelo com a quarentena, já que milhares de crianças ficaram isoladas em casa por quase dois anos, o que gerou efeitos em sua sociabilidade pós pandemia. Nesse interím, é imprensindível expor os impactos resultantes desse fato no âmbito social e escolar.

Diante desse cenário, a pandemia suprimiu o convívio social das crianças, afetando suas habilidades sociais. Sob esse viés, segundo o livro “autismo: compreender e agir em família”, existe muita plasticidade cerebral na infância, ou seja, é a época em que mais conexões neurais são criadas. Desse modo, grande parte desses aprendizados vem de observar as interações de outras crianças e imita-lás, ativando os neurônios espelhos e entendendo como se portar em socidade. Isso não foi possível na pandemia, já que o isolamento social impossibilitou as crianças de comparecerem presencialmente nas escolas, limitando seu entrosamento social e desenvolvimento escolar.

Além disso, refere-se que a educação é um dos pilares mais importantes da primeira infância. A exemplo disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), defende que todas as crianças tem o direito de ter acesso a educação. Porém, com a suspensão das aulas presenciais na pandemia, as crianças brasileiras continuaram seus estudos em meios digitais, o que provocou desigualdade tecnológica. Nesse contexto, o filósofo francês Pierre Levy argumenta que “toda tecnologia cria seus excluídos”, ou seja, a tecnologia não é um item democrático, já que nem todos tem acesso. Sendo assim, a educação na pandemia deixou de ser um direito acessível a todos como garantia a ECA.

Portanto, admite-se que o isolamento proporcionado pela pandemia gerou efeitos efetivos na vida das crianças. Logo, cabe ao Ministerio da Educação ajudar os professores a lidar com crianças da pandemia por meio da capacitação na rede básica de ensino. Isso pode ser executado em parceria com faculdades pedagógicas e profissionais em psicologia infantil com a finalidade de conscientizar os profissionais da educação sobre os impactos da quarentena nas crianças.