Os fatores motivadores da proliferação de clínicas clandestinas de estética no Brasil
Enviada em 03/11/2025
A busca incessante por um ideal de perfeição estética expõe um dos dilemas da sociedade contemporânea: o limite entre a saúde e o culto à imagem. No Brasil, essa obsessão, potencializada pela era digital, resulta na grave proliferação de clínicas clandestinas, que colocam a vida de consumidores em risco. Tal problemática decorre, primariamente, da imposição de padrões de beleza inatingíveis pela sociedade de consumo e da fragilidade dos mecanismos de fiscalização e punição do Estado.
Em primeira análise, o consumismo estético incentiva a busca por procedimentos de risco. Conforme o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos na “sociedade do espetáculo”, onde o indivíduo é pressionado a se autoapresentar como um produto perfeito nas redes sociais. Essa coerção social, aliada à publicidade massiva, cria uma escassez artificial de autoestima, levando indivíduos a procurar intervenções rápidas e baratas. Com efeito, a promessa de resultados imediatos e o baixo custo oferecido por estabelecimentos clandestinos atraem essa demanda, configurando um risco social impulsionado pela fragilidade psicológica e financeira.
Outrossim, a ineficácia dos órgãos regulatórios alimenta a clandestinidade no setor. Embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabeleça normas rígidas para a operação de clínicas, a fiscalização é intermitente, e as punições são insuficientes para inibir a ação de estabelecimentos ilegais. Sob a ótica da Violência Estrutural de Johan Galtung, a falha do Estado em fiscalizar e punir adequadamente representa um dano direto à saúde pública. Dessa forma, a leniência na aplicação da lei e a facilidade em operar sem registro permitem que profissionais não qualificados exponham a população a riscos como infecções e deformidades permanentes.
Infere-se, portanto, que o Governo Federal deve reforçar a regulação e intensificar a fiscalização das clínicas. Isso será alcançado por meio de aumento de repasses à ANVISA e de campanhas informativas sobre os riscos do setor clandestino. O detalhamento reside na criação de um canal de denúncias anônimas via aplicativo e com recompensa, a fim de proteger o consumidor e inibir a atuação ilegal.