Os fatores motivadores da proliferação de clínicas clandestinas de estética no Brasil
Enviada em 06/11/2025
A novela “Beleza Fatal” retrata a morte de uma garota ao realizar um procedimento estético em uma clínica não autorizada. Sob essa ótica, na contemporaneidade brasileira, a proliferação de clínicas clandestinas de estética constitui um desafio fundamental para a proteção dos cidadãos. Tal cenário configura-se, principalmente, em virtude da inoperância estatal e da mídia como mecanismo de manipulação.
Em primeira análise, convém ressaltar que a escassez do interesse estatal consiste em um impasse para extinguir a proliferação dessa clínicas. Segundo a concepção de Raymundo Faoro, o governo, muitas vezes, prioriza seus interesses em detrimento das necessidades do povo. Em conformidade com a ideia, os políticos ao inviabilizarem a temática, não tomam medidas efetivas para mitigar o conflito, como aumentar o rigor da lei que criminaliza os atos ou promover campanhas publicitárias nos veículos da mídia com diferentes corpos, para evidenciar que não existe padrão estético real. Sendo assim, a ineficiência estatal contribui para o aumento de espaços que negligenciam a saúde da população.
Ademais, a mídia como ferramenta de controle, estimula a disseminação de corpos perfeitos, reforçando a procura desses espaços inadequados. Na visão de George Orwell, a tecnologia é usada como instrumento de domínio e manipulação das massas. Nessa lógica, a normalização de padrões estéticos inalcançáveis promovidos por criadores de conteúdo, que divulgam um ideal de beleza ilusório, realizados pela recorrente mudança física, por meio de cirurgias plásticas, influencia especuladores os quais não possuem renda suficiente para uma clínica autorizada. Logo, essa ação resulta no aumento da procura por clínicas clandestinas.
À luz dos argumentos citados, é urgente medidas que mitiguem os fatores motivadores da proliferação de clínicas clandestinas. Para tanto, o Ministério da Justiça, deve promover rigor maior em leis já existentes que criminalizam as clínicas, por meio do aumento da pena de exclusão, como também extinguir direito à fiança, a fim de assegurar que novas clínicas não sejam criadas e frequentadas, garantindo a segurança da comunidade.