Os fatores motivadores da proliferação de clínicas clandestinas de estética no Brasil
Enviada em 07/11/2025
A expansão do mercado de estética no Brasil revela uma grave contradição: ao mesmo tempo em que o setor se profissionaliza, cresce exponencialmente a oferta de serviços clandestinos, configurando um sério problema de saúde pública. A proliferação dessas clínicas ilegais é um sintoma de fatores sociais profundos e falhas estruturais, motivada pela intersecção de uma intensa pressão estética com a vulnerabilidade econômica e a fiscalização deficiente.
A sociedade contemporânea, definida por filósofos como Byung-Chul Han como a “sociedade do desempenho”, impõe ao indivíduo a obrigação de otimizar a si mesmo. O corpo tornou-se um capital a ser exibido, e as redes sociais intensificam essa “tirania da aparência”, criando uma demanda massiva por procedimentos que prometem adequação a padrões muitas vezes inatingíveis, gerando ansiedade e a busca por soluções imediatas.
Essa demanda encontra a barreira econômica. Os procedimentos seguros, realizados por profissionais qualificados e com materiais aprovados pela Anvisa, são onerosos. O mercado clandestino explora essa lacuna, oferecendo os mesmos “sonhos” estéticos a preços acessíveis. A população de menor renda, movida pelo desejo de pertencimento e aceitação social, torna-se refém de praticantes não habilitados, que atuam à margem da lei, beneficiados pela baixa percepção de risco e pela impunidade.
Para garantir o direito humano fundamental à saúde e à integridade física, uma intervenção estatal é urgente. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com as Polícias Civis e a Anvisa, criar uma força-tarefa para intensificar a fiscalização da venda ilegal de insumos (como preenchedores e toxinas) e o fechamento dos locais clandestinos. Adicionalmente, o Ministério da Educação deve promover campanhas nacionais de conscientização em mídias de massa, alertando sobre os riscos fatais da imperícia e o valor da saúde acima da estética imposta.