Os fatores motivadores da proliferação de clínicas clandestinas de estética no Brasil
Enviada em 25/11/2025
A busca pela aparência perfeita tornou-se um fenômeno crescente na contemporaneidade, intensificando a procura por procedimentos estéticos. No Brasil, contudo, esse interesse tem incentivado o aumento de clínicas clandestinas, que oferecem serviços sem autorização sanitária e com profissionais não habilitados. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), milhares de brasileiros sofrem complicações anuais após procedimentos realizados de forma irregular, evidenciando um problema de saúde pública impulsionado por pressões sociais e falta de fiscalização adequada.
O filósofo Jean Baudrillard afirma que, na sociedade do consumo, o corpo torna-se objeto de valor e símbolo de status. Essa lógica ajuda a explicar a proliferação de clínicas clandestinas, que se aproveitam do desejo de alcançar padrões estéticos impostos pela mídia e pelas redes sociais. Além disso, a promessa de baixo custo, rapidez e resultados “milagrosos” atrai muitas pessoas, especialmente jovens e mulheres de baixa renda, que não conseguem pagar por procedimentos regulamentados. A desinformação sobre riscos e a banalização de intervenções estéticas contribuem ainda mais para a busca por locais ilegais.
Dessa forma, o problema não se limita ao mercado clandestino, mas à ausência de políticas educativas e de fiscalização rigorosa. Para enfrentá-lo, é necessário ampliar campanhas públicas que informem a população sobre os riscos de procedimentos irregulares, além de incentivar a consulta a profissionais habilitados. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deve fortalecer a fiscalização de estabelecimentos, aplicar penalidades severas a responsáveis por práticas ilegais e regular a publicidade digital, que frequentemente divulga promoções enganosas.
Portanto, o Governo Federal, por meio da Anvisa e do Ministério da Saúde, deve intensificar a fiscalização e combater a publicidade irregular, enquanto a mídia e as redes sociais promovem campanhas de conscientização sobre os riscos de procedimentos clandestinos. Assim, será possível proteger a saúde da população e reduzir a expansão desse mercado irregular.