Os fatores motivadores da proliferação de clínicas clandestinas de estética no Brasil

Enviada em 06/01/2026

O avanço tecnológico no início do século XXI contribuiu para a banalização do uso de procedimentos estéticos não cirúrgicos. Ademais, a expansão das redes sociais intensificou a busca por um ideal de beleza, influenciando pessoas pouco conscientes dos riscos envolvidos. Nesse contexto, formou-se um grupo que procura soluções puramente mercantilistas para suas aflições estéticas e que, muitas vezes, torna-se vítima de clínicas clandestinas, as quais, na maioria dos casos, priorizam o lucro em detrimento da segurança dos indivíduos envolvidos.

No livro “Amor Líquido”, de Zygmunt Bauman, o sociólogo polonês reflete sobre uma sociedade que passa a tratar a saúde e o bem-estar como mercadorias a serem adquiridas. Tal fenômeno manifesta-se na contemporaneidade por meio do aumento da procura por procedimentos estéticos. Esse crescimento, entretanto, não ocorre de forma concomitante à conscientização acerca dos riscos inerentes a qualquer intervenção desse tipo.

Do mesmo modo, os riscos à saúde do indivíduo tornam-se evidentes quando procedimentos são realizados de forma inadequada, podendo acarretar não apenas sequelas físicas, mas também danos emocionais. Assim, a busca irrefletida por padrões estéticos reforça a vulnerabilidade de pacientes diante de práticas clandestinas.

Além disso, os efeitos desses procedimentos irregulares refletem-se nos serviços de saúde pública, que acabam arcando com os custos necessários para reparar possíveis erros decorrentes de intervenções realizadas em locais inadequados e por profissionais não qualificados.

Portanto, cabe às secretarias municipais de saúde promover campanhas de conscientização com o objetivo de alertar a população sobre os riscos de realizar procedimentos estéticos com pessoas não credenciadas, a fim de reduzir a demanda por clínicas de estética clandestinas.