Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 21/04/2018

Chuva de senso crítico: fenômeno de superação do consumo

A animação “Tá chovendo hambúrguer” retrata a história de um grupo de personagens que lidam com um grande evento, que ocorreu devido a uma experiência científica: uma chuva de hambúrgueres. Esse fenômeno climático, nas entrelinhas, revela a intensa vontade do homem atual querer sempre mais do que lhe é oferecido. Infelizmente, fora da ficção, a extrema necessidade de consumo prevalece sobre a sociedade brasileira. Nesse contexto, deve-se analisar o individualismo da população e o poder exercido pela mídia.

Primeiramente, cabe pontuar que o individualismo está alavancado no meio social. Essa situação é verificada pelo sociólogo Bauman, em sua teoria da “Modernidade líquida”, o autor afirma que o século XX sofreu uma passagem da sociedade de produção para a de consumo. Por conseguinte, deixou-se de pensar em termos de coletividade. Após essa transformação, a identidade pessoal restringiu o propósito da vida e da felicidade a tudo aquilo que ocorre com cada pessoa individualmente. Ademais, ele elucida que as formas de vida moderna assemelham-se pela vulnerabilidade e fluidez. Isto posto, vê-se que o consumismo está enraizado nas questões de individualidade e instabilidade pessoal.

Em segunda análise, convém frisar a influência que a mídia exerce sobre a população. Comprova-se isso, através da crítica a indústria cultural, realizada por Theodoro Adorno, o sociólogo explica que a máquina midiática é capaz de instigar desejos profundos na mente do corpo social, levando-os a esquecer do que realmente precisam. Em consonância ao pensamento de Adorno, o escritor Foucault explana o poder abusivo das instituições que regem o coletivo, podendo a mídia encaixar-se como uma dessas instituições, a qual participa da domesticação do comportamento humano. Assim sendo, compreende-se que uma das principais influências ao consumismo encontra-se no conteúdo midiático.

À vista disso, é preciso que se tomem medidas para aplacar a questão do consumismo no Brasil. É imprescindível que o Ministério da Saúde, em parceria com ONG’s, comecem a incentivar a cultura do acompanhamento psicológico nas comunidades, disponibilizando profissionais qualificados para consultas clínicas, no intuito de tratar de casos como a compulsão e a impulsividade. Além do mais, o Ministério das Comunicações deve averiguar os atuais comerciais de bens de consumo, impondo regras para que as empresas tenham obrigação de informar o que continua igual e o que mudou de um modelo de artigo para outro, na intenção de conscientizar o consumidor se existe a real necessidade de compra. Dessa forma, o Brasil irá superar o problema do consumismo exacerbado e será composto por uma sociedade repleta de pensamentos críticos.