Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 27/05/2018

A sociedade do consumo: ter para ser

No contexto das Revoluções Industriais formaram-se os primeiros núcleos urbanos e consequentemente surgiram os primeiros meios de comunicação em massa, pois, os produtos precisavam serem vistos e consumidos, para isso cria-se na sociedade, recém formada, a vontade de adquirir. No Brasil, essa “vontade fabricada” acaba por provocar métodos de consumos para além das necessidades básicas, uma vez que, o poder midiático induz o indivíduo a pensar na felicidade como sinônimo de compra. Agora pois, esse fato aliado à falta de educação financeira acabam por contribuir para o cenário da sociedade atual, na qual, o ter torna-se “maior” que o ser.

Dessa forma, a cultura de massa manipula o tecido social sempre em busca da venda e lucro, pois, insere na subjetividade coletiva que o indivíduo é aquilo que ele possui. Sucintamente, tal realidade contribui para elevar as desigualdades sociais, e além disso, podendo gerar casos depressivos, pois as pessoas de menor poder aquisitivo se sentem inferiorizadas em relação aos demais, tal como abordado na tese da Modernidade Líquida de Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, onde os lanços sociais se enfraqueceriam e estar fora dos padrões pré estabelecidos pela sociedade seria sinônimo de inexistência.

Nesse ínterim, Ludwig Wittgenstein afirmava que o tamanho do mundo de cada pessoa depende do tamanho do seu conhecimento, nessa lógica, a falta de ensino de cidadania e economia nas escolas refletem, posteriormente, em adultos mais consumistas e inadimplentes. Pois, sem instrução técnica de consumo responsável o indivíduo é facilmente ludibriado pelos meios maquiladores de comunicação, pois, induz a população a sentir sentimentos semelhantes à felicidade ao adquirir bens fúteis e assim, todo o contingente social é induzido a consumir sem necessidade.

Diante desse cenário, cabe a realização de parcerias entre as escolas, os centro universitários de ensino de economia e pedagogia e o Ministério da Educação na elaboração de uma matéria, que deverá ser incluída na Base Nacional Comum Curricular, do ensino de economia desde as etapas iniciais de ensino e assim formar um futuro mercado consumidor economicamente consciente. Além disso, ofertar para toda a sociedade civil mini cursos, resguardada a vontade de participação individual, sobre bons hábitos de consumo e administração de renda para, sistematicamente, educar o indivíduo e consequentemente mudar os hábitos da sociedade em relação ao consumo. Assim, esses são métodos primordiais, mas como afirmava Oscar Wilde, poeta britânico, o primeiro passo é o principal na mudança de uma sociedade.