Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 24/05/2018
Precursor da crise da superprodução de 1929, o ilustre estilo de vida americano perpetuado pela máxima “American way of life”, demonstra que a atual sociedade de consumo tem raízes profundas. Diante disso, torna-se necessário discutir o fenômeno do consumismo, visto os consequentes endividamentos e os impactos ambientais.
Em primeiro lugar, segundo o sociólogo polonês Zigmund Baumann, as relações sociais atuais são baseadas no consumo e estimuladas de forma desenfreada pelo capitalismo. Esse fato incitado de forma progressiva pelos meios de comunicação, moldou um padrão único que atrai pessoas de diversas condições econômicas a um bem comum: ser aceito socialmente pelo seu poder de compra. O grande problema disso são as consequências dessa busca desmedida, como é o caso do endividamento que já alcança 38% das famílias brasileiras, segundo o IBGE. Além disso, a tentativa falha de encontrar felicidade nos bens materiais são apontadas por pesquisadores do setor de psicologia da USP, como uma das grandes precursoras da frustração pessoal e depressão.
Ademais, o alto consumo desencadeado pelas Revoluções Industriais impactam a natureza de forma negativa. Com isso, para a produção de bens, inúmeros recursos naturais são explorados. Prova disso, é a água invisível que não é levada em conta pelos consumidores compulsivos, mas tem um grande influência na degradação do ecossistema. Esse fato é confirmado com a informação divulgada pelo EMBRAPA, que para a produção de uma camiseta de algodão são gastos 2900 litros de água. Esses dados levantam a questão da importância da consciência ambiental ao consumir um bem material.
Portanto, parafraseando Drummond, para que se retire as pedras do consumismo do meio do caminho, torna-se necessário que as escolas iniciem um programa de consumo consciente para as famílias, ministrado por economistas, visando o consumo responsável e sustentável, alterando paradigmas midiáticos e colaborando para a preservação ambiental.