Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 12/06/2018

Adorno e Hokheimer conceituaram o efeito do consumo propagandista como Indústria cultural, envolvendo toda a provocação do fetichismo consumista na sociedade. As cores, a música, a situação criada pelos comerciais… Partes integrantes de propagandas que vendem milhões. Atentam-se às popularidades, gostos e biotipos padrões com um único objetivo: tornar o indivíduo um consumidor, definindo-o pela conta bancária.

Atualmente, as relações comerciais a distância são possíveis devido a evolução das redes de comunicação, afetando diretamente no controle do mercado sobre o indivíduo. Os comerciais de televisão já não eram mais suficientes para abranger toda uma geração, composta por jovens e adultos fascinados com o desenvolvimento da internet. Assim, as empresas ultrapassaram as expectativas e foram desde anúncios de MSN à criação de suas próprias plataformas de entrega à domicílio. O conforto e praticidade da compra trouxe ao mercado mais consumidores, pouco preocupados com os empecilhos para sair de casa, uma vez que já não precisavam mais. A compulsividade da compra cresceu proporcionalmente a essas empresas e espalhou-se por todas as classes brasileiras. A vontade de possuir iguala os indivíduos, torna-os parte de uma massa alienada por seus próprios desejos, gerados pelos anúncios.

O fetichismo, resultante dessa alienação, permite que o consumo se torne prestígio social e que os objetos sejam mais do que suas funções: atalhos para uma vida mais ‘‘digna’’, o que, para muitos, descreve o sentimento de posse de produtos tão desejados. Esse pode ser gerado por comerciais estratégicos em cor, sons e uso de figuras públicas influentes, tanto quanto pela persistência da divulgação. A obsolescência programada é, também, um forte fator de consumo. Agenda-se o tempo de duração do funcionamento perfeito dos aparelhos. Em conjunto, esses fatores impulsionam a compra e o interesse aos novos modelos lançados, favorecendo o mercado, mas sendo conivente com seu próprio mal estar, pois, a cada lançamento, há um sentimento mais forte de desejo.

Conforme citado, a indústria cultural estimula a compulsividade do consumismo e, dentre outros aspectos, o fetichismo. O controle do consumidor nas mãos da própria indústria prejudica o reconhecimento humano como unidade integrante da diversidade cultural, uma vez que massifica a sociedade. É dever do poder legislativo compreender os malefícios da influência midiática na vida do cidadão, impor leis mais consistentes na divulgação dos produtos e rever a permissão do ciclo de obsolescência programada. É necessário, igualmente, atentar o consumidor sobre os excessos e conscientiza-lo dos pontos negativos do consumo, por meio das mídias, como projeto do Estado. protetor protetor.