Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 24/06/2018

Parafraseando a lógica de Descartes, o lema da sociedade atual tem sido: compro, logo existo. Esse é o padrão comportamental imposto ao brasileiro pelas empresas que fazem uso da propaganda, moldando, de certa forma, os hábitos e costumes daquele, sempre visando o lucro. Sob essa ótica, existe uma problemática em relação ao consumo no Brasil, o qual possui um viés cultural e outro educacional.

É necessário considerar, antes de tudo, que o hábito de consumo do brasileiro possui uma veia cultural. Pois, adaptando a frase de Zygmunt Bauman, as relações sociais são baseadas na aquisição de bens matérias, ou seja, o indivíduo é caracterizado pelas suas posses. Isso, de certo modo, gera no cidadão um consenso de que ele precisa se “massificar”, por meio dos produtos novos que são lançados para ser aceito socialmente. Entretanto, essa prática pode levar a um ciclo de dependência consumista – isto é, algo rotineiro.

A questão, porém, não se resume a isso, pois a falta de educação, relacionada ao discernimento, é um fator preponderante na formação dessa prática constante. Embora a mídia propagandística influencie o cidadão, por meio do que Karl Marx chama de fetichismo da mercadoria – em que ela vale mais que a pessoa, é imprescindível deixar o olhar maniqueísta – bem versus mal – de lado. Porque o problema não está no que é transmitido pela mídia, mas, sim, na capacidade racional de uma parte do povo que não foi educada de modo a perceber quando está sendo manipulada para consumir mais do que o necessário.

Torna-se evidente, portanto, a adversidade ligada ao consumo no país. Primeiramente, o Ministério da Cultura, utilizando do poder do Estado em relação a mídia, deve divulgar campanhas em canais televisivos que mostrando a sociedade o panorama real em relação ao consumo, com a intenção de evitar um ciclo de dependência social consumista. Ademais, o MEC, com o apoio da família, precisa educar os alunos, desde o ensino básico, por meio da filosofia e da sociologia, a fim de instigar o olhar crítico em relação ao que é veiculado pela mídia, enfrentando, assim, o consumismo desnecessário.