Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 21/06/2018
Para o sociólogo Zygmunt Bauman, o ser humano acredita que pode satisfazer suas vontades através do consumo. No entanto, tal promessa só se manterá sedutora enquanto o desejo continuar irrealizado. Diante disso, a estratégia de mercado, da sociedade e da indústria do consumo é não satisfazer os desejos humanos, consequentemente, o indivíduo consumista passa a viver em um ciclo que não tem fim, o que pode gerar compulsão ou vício por compras, comprometendo a qualidade de vida humana e ambiental.
Primeiramente, é importante deixar claro que, de acordo com um estudo feito, em 2017, pelo Serviço de Proteção ao Crédito, cerca de 33% dos consumidores no Brasil consideram as compras como o tipo de lazer favorito, capaz de reduzir até o estresse do dia a dia. Sendo assim, possivelmente, a noção de felicidade, corroborando a ideia de Bauman, está relacionada com a satisfação imediata de fictícias necessidades por meio do consumo. Entretanto, muitas vezes, o fato de não atingir esse objetivo gera frustrações, pois a mídia faz questão de compartilhar que o prazer se encontra no consumo. Um exemplo disso foi o slogan utilizado pela empresa Coca Cola que dizia: “abra a felicidade que tem aí”, estimulando seus clientes a consumirem cada vez mais o produto.
Sob essa ótica, na maneira como a sociedade se organiza atualmente, tendo como base o sistema capitalista, vive-se a era dos excessos. Desse modo, a dinâmica do consumo, ao contrário do que o ser humano é manipulado a acreditar, pode estar comprometendo muito mais a qualidade de vida das pessoas do que de fato gerando bem-estar social. Pois, consumir exacerbadamente significa explorar mais os recursos limitados da natureza, bem como produzir mais lixo, o que ocasiona sérios impactos sociais e ambientais: mudanças climáticas, escassez da água, desmatamento, entre outros.
Fica claro, portanto, que, para tentar amainar essa cultura consumista, seria de suma importância que o Ministério da Educação colocasse na grade curricular nacional, desde o Ensino Fundamental, uma nova disciplina de gestão econômica básica e, além disso, repassasse recursos financeiros para as secretarias estaduais e municipais com o objetivo de contratar profissionais pedagógicos capacitados para ensinar, por meio dessa inovação, como as pessoas podem ter controle capital, repensando sobre a necessidade das compras de certos produtos. Somado a isso, as organizações não governamentais poderiam, mediante apoio das prefeituras, fornecendo lugares públicos para palestras e conferências, realizar campanhas de conscientização a fim de fazer com que a sociedade reflita sobre os limites que, às vezes, são ultrapassados por esses hábitos de consumo e, assim, possa manter um equilíbrio emocional diante das propagandas de promoção e liquidação.