Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 24/07/2018
Oscar Wilde, no final do século XIX, escreveu certa vez: “hoje em dia as pessoas sabem o preço de tudo, mas não sabem o valor de nada”. Era o princípio de um período de grandes transformações na sociedade, sobretudo no que se diz respeito ao estilo de vida. De certa forma, foi uma época de grande avanço no consumismo, criando-se um modelo muito semelhante ao atual: hedonista e pouco preocupado com questões sociais e ambientais.
Passados mais de um século, o modelo capitalista de produção ainda estimula um consumo pouco consciente do valor dos recursos empregados. Embora muito se fale a respeito de temas como a sustentabilidade ambiental e responsabilidade social corporativa, ao se observar com cuidado o padrão de consumo mundial, o que se percebe é uma massa consumista que pouco considera valores ligados à sociedade e ao meio ambiente. Outrossim, o preço, que ganha uma posição central na alavancagem do ato de consumir, acaba induzindo os consumidores, muitas vezes, a desprezarem questões socioambientais, a exemplo da reciclagem e do trabalho digno.
O caso brasileiro, inegavelmente, se insere nesse contexto de consumismo pouco consciente. Algumas empresas brasileiras, nesse sentido, pressionam a compra de bens e serviços, especialmente por meio de estratégias marketing relacionadas a descontos, publicidade infantil, facilidades de crédito etc. E assim, o ato de comprar se transforma em uma busca constante por atributos como a exclusividade, a quantidade, as melhores condições, a “novidade” e a “marca”. Tudo isso orbitando, principalmente, o preço (seja alto ou baixo; nas classes A ou E). Dessa maneira, novamente, o valor socioambiental passa a ser pouco considerado, quando não desprezado ante um consumo desenfreado.
Mas, afinal, como mudar essa maneira de consumir? Primeiro, governos e a sociedade civil devem ser vistos como atores essenciais. No caso dos governos, uma possível estratégia é a inclusão, na educação de crianças e jovens, de noções de finanças pessoais e economia, sob a perspectiva do consumo consciente. Assim, as gerações incorporariam, gradativamente, conhecimentos relacionados a um consumo sustentável. Já a sociedade civil, por sua vez, precisa estreitar laços com empresas e organizações em geral, visando, entre outras coisas, incentivar a reciclagem; uma maior conscientização do uso dos recursos naturais; e a utilização de mão de obra somente em condições dignas. Em segundo lugar, é imprescindível que a sociedade pressione os legisladores por novos marcos regulatórios, sobretudo no contexto da publicidade e do crédito, de forma a substituir o atual paradigma de consumo por uma mentalidade racional, sócio-responsável e ambientalmente consciente.