Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 23/07/2018

O Século XVIII foi o palco inicial de uma das revoluções que mais impactou a sociedade: a Revolução Industrial. Foi a partir dela que a relação com os produtos foi modificada e a ascensão do capitalismo iniciou-se. No limiar hodierno, portanto, vive-se numa sociedade hipercapitalista e consequentemente consumista, que possui diversos agravantes na problemática envolta dessa questão. Sendo assim, pode-se destacar tanto o reforço midiático da objetificação dos consumidores, quanto a desinformação a respeito dos impactos socioambientais oriundos do consumismo desenfreado.

Em primeira instância, segundo os filósofos Adorno e Horkheimer, a Indústria Cultural associa à compra um sentimento de pseudo felicidade que desencadeia um ciclo compulsório de consumismo. Tal situação transforma os indivíduos em robôs alienados e consumistas - obtendo, por diversas vezes, produtos motivados por padrões sociais pré estabelecidos. Além disso, é perceptível que a mídia, mediante a internet e a televisão, reforça essa objetificação dos consumidores e acresce o público negativamente impactado: classes mais baixas, que não seriam influenciadas na compra de produtos mais caros devido à segregação socioespacial, acabam endividando-se em busca da falsa felicidade atrelada pela mídia aos produtos característicos de classes favorecidas.

Por conseguinte, pouco se discute a respeito dos impactos socioambientais que o estilo de vida comandado pelo consumismo exacerbado acarreta. Um aumento do consumo de produtos associados direta ou indiretamente à animais - comidas, roupas ou cosméticos - gera uma crescente exploração deles e um consequente desequilíbrio ambiental que, se levado adiante, pode tornar-se irreversível. Dessa forma, percebe-se que os adultos não possuem nem o estímulo nem a conscientização necessários para modificar a mentalidade de jovens e crianças, bem como para transformarem suas próprias práticas individuais. Tal conjuntura agrava a qualidade dos hábitos de consumo no país.

Infere-se, portanto, que medidas devem ser tomadas para solucionar os entraves quanto ao consumismo no Brasil. Assim, as Organizações Não Governamentais devem agir mediante movimentos sociais - como entrega de folhetos e disseminação de informações - em regiões desfavorecidas, a fim de conter a alienação social das classes baixas e interromper o ciclo compulsório, além de estimular o debate sobre os impactos socioambientais desse estilo de vida. Ademais, a mídia deve criar campanhas, na internet e na televisão, que incentivem o consumo consciente, além de substituir os anúncios que objetifiquem o consumidor por aqueles que valorizem a vida dos animais, a estabilidade financeira e um meio ambiente equilibrado. Dessa forma, as melhorias serão progressivas.