Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 28/07/2018

No livro “Vida para Consumo: A transformação das pessoas em mercadorias”, o sociólogo Zygmunt Bauman reflete sobre o que há de específico no consumo contemporâneo: não se trata de um consumo voltado apenas para satisfazer as necessidades dos consumidores, mas voltado para transformá-los em mercadoria. Dentre desse contexto, há dois importantes fatores que devem ser levados em consideração: a causa das despesas desenfreadas, e a problemática que a conjuntura traz para as pessoas.

Primeiramente, segundo Bauman o centro da vida é consumo. Destarte, as formas para se adquirir um produto são facilitadas cada vez mais, cartão de crédito, carnê para parcelamento, entre outros, já se tornaram encontradiços. Atrelado, as aquisições em exagero, por vezes, trazem como consequência o endividamento, visto que ao comprar a grande maioria dos cidadãos não se certifica que terá a quantia exata para o pagamento. Assim, dados divulgados pelo Serasa apontam que 61,2 milhões de brasileiros estão inadimplentes.

Ainda, é incontrovertível que o contexto hodierno configura-se fortemente capitalista. Marx dizia que a economia determina a sociedade, nesse sentido o lucro é priorizado. Sob o ângulo supracitado, encontram-se fortes propagandas persuasivas, que tem como foco o consumo exacerbado. Com efeito, a falta de educação financeira torna o cliente refém desse viés. Em consequência, problemas psicológicos como ansiedade, compulsão e depressão são corriqueiros entre àqueles que não conseguem acompanhar a engrenagem consumista contemporânea.

É evidente, portanto, que o dispêndio hiperbólico engloba cada vez mais pessoa. Cabe ao MEC instituir palestras educativas diante ao ramo financeiro para os alunos, visto que o despertar pela compra começa já na infância, a fim de prepará-los para que na vida adulta o número de indivíduos devendo no país diminua. Por fim, o governo deve usar os meios midiáticos para que com propagandas, conscientize aqueles que já estão ativos economicamente, orientando-os e visando a promoção de adultos conscientes de suas ações. Afinal, como citou Platão: “o importante não é viver, mas viver bem”.