Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 23/08/2018
Marionete do Consumo
O Pop Art, movimento artístico da década de 50, tinha como maior objetivo criticar o consumismo acelerado da época, como na obra “Campbell’s Soup Cans” de Andy Warhol. Dessa maneira, a análise dessas produções facilmente coincidiriam com o contexto hodierno brasileiro: o consumo desenfreado tem alcançado dados alarmante – segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, 3 em cada 10 pessoas consideram comprar um passatempo – no país. Isto posto, esse cenário preocupante, além de gerar dívidas exorbitantes, impele em delicados aspectos socioculturais.
É indubitável que a questão do débito esteja entre as consequências do problema. Em consonância a essa ideia, o Banco Central noticiou que 43,99% do salário bruto da sociedade canarinha é voltado para quitar encargos. No entanto, tal fato não impede a população de mercar cada vez mais, gerando, dessa forma, um ciclo vicioso. Destarte, confirma-se o pensamento de Schopenhauer, filósofo prussiano, no qual o autor atesta que os desejos humanos são insaciáveis e, em decorrência disso, o sujeito torna-se marionete de sua própria vontade, tese defendida em seu livro “O mundo como Vontade e Representação”.
Outrossim, o “ter” garante, na modernidade, status. Desse modo, transfigura-se aplicável o conceito de pessoa como mercadoria em Bauman, filósofo polonês, evidenciando no exemplar “Vida para o Consumo”, em que numa sociedade baseada no consumo, as pessoas se tornaram mercadorias descartáveis elas próprias. Em conclusão, quanto mais o indivíduo adquire objetos mais “cobiçado” ele é, ou seja, em tempos de redes sociais, o consumir se tornou um modo de se integrar e ser “curtido”.
É evidente, portanto, que ainda há entraves na solidificação de um consumo consciente entre os brasileiros. Primeiramente, cabe ao Ministério da Educação (MEC) promover palestras e cursos gratuitos abertos a comunidade, em escolas e universidades, voltadas, inicialmente, para a população economicamente ativa, mas também introduzir na grade escolar o ensino de gerenciamento financeiro em colégios, visando a formação de cidadãos responsáveis pecuniariamente a longo e curto prazo. Concomitantemente, o Ministério Publico Federal deve criar políticas interventoras que proíbam propagandas, em redes sociais, por usuários sem a devida sinalização, afim de que não precise-se mais “ostentar” para sentir-se parte de uma comunidade.