Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 13/08/2018

No filme “Delírios de consumo de Becky Bloom”, Rebecca é um exemplo clássico de consumidora compulsiva e comprar, para ela, é sinônimo de prazer. Contudo, o inesperado acontece e ela se vê desempregada e com uma dívida de milhares de dólares no cartão de crédito. Hodiernamente, a situação de muitos brasileiros se assemelha à de Rebecca, pois falta-lhes uma postura consciente em relação aos hábitos de consumo, o que se deve a fatores como a ausência de educação financeira e aos valores estimulados pela dinâmica capitalista.

Segundo Karl Marx, a produção cria consumo, logo, cabe aos aparelhos midiáticos incutir nas pessoas necessidades artificiais a fim de garantir mercado. Desse modo, as propagandas, ao associarem valores como felicidade e beleza à aquisição de certos produtos, estão de certo modo deseducando a sociedade e concretizando a máxima míope do “parecer” em superação do “ser”. Consoante a necessidade intrínseca do ser humano por aceitação, os brasileiros deixam-se ludibriar pelas ilusões midiáticas, endividam-se e passam a compor a malha que já supera os 60 milhões de cidadãos com o nome no SPC.

Outrossim, diante de uma taxa de desemprego de 13% e da crise financeira, manter as contas em dia exige uma consciência financeira que parece não fazer parte da cultura brasileira. Infelizmente, as linhas de crédito e propostas bancárias são tentadoras e pouco claras quanto às taxas de juros e regras, o que leva muitos a gastarem além do seu poder de compra. Além disso, segundo a revista Exame, a maioria das pessoas não economiza ou investe e nem se preocupa com reservas futuras. Assim, o consumismo revela-se como um fator que desestabiliza o indivíduo e arrisca o seu futuro.

Evidenciam-se, portanto, problemas significativos associados aos maus hábitos de consumo do brasileiro. A fim de promover uma maior conscientização financeira, o Governo Federal deve incentivar o cidadão a melhor administrar suas contas por meio da criação e divulgação de plataformas digitais com cursos que versem sobre como organizar o orçamento mensal e os perigos de contar com estruturas como empréstimos e cheque especial. Assim, mais educados, os cidadãos poderão ter mais consciência de suas escolhas consumidoras. Além disso, a sociedade deve cuidar que haja uma inversão de valores, por intermédio da valorização da moral e ética dos indivíduos- uma vez que são termômetros concretos de medição de caráter- ao invés da visão mecanicista que confunde o “ser” com o “ter”.