Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 14/08/2018

Nos últimos anos, a capacidade de compra do brasileiro tem aumentado, visto que, no século XXI, houve uma expansão da classe média e do valor do salário mínimo. Apesar de isso representar um avanço econômico para o país, tal situação é problemática quando se analisa o uso inconsciente do dinheiro, muitas vezes orientado por um estilo de vida consumista, causador de endividamentos e impactos ambientais. Nesse contexto, convém refletir sobre os fatores que motivam a aquisição excessiva de determinados produtos, característica das tendências de consumo no Brasil.

Primeiramente, conforme o pensamento do filósofo Montesquieu, é da natureza do comércio tornar úteis coisas supérfluas e necessárias as coisas úteis. Tal preceito é comprovado pela atuação das propagandas de televisão e dos anúncios de redes sociais, sobretudo por fazerem uso da tática do “ter para ser”, isto é, estimulam a aquisição de um certo objeto, muitas vezes supérfluo, pelo consumidor, com a promessa de que aquilo é imprescindível para ele ser melhor aceito socialmente. Dessa forma, grande parte das pessoas compram baseado no que é determinado pelas mídias e isso favorece a compra de itens sem real necessidade para o dia a dia.

Somado a isso, a busca pelo lucro, um dos princípios de empresas inseridas no sistema capitalista, tem motivado práticas que induz ao consumo desenfreado por parte da população brasileira. Uma delas é a “obsolescência programada”, ou seja, quando empresas, propositalmente, fabricam e vendem mercadorias com uma vida útil mais curta do que a tecnologia permite, assim, rapidamente se tornam ultrapassadas, motivando o comprador a adquirir um novo modelo. Logo, tal estratégia contribui para uma tendência consumista na sociedade contemporânea, inclusive no Brasil.

Em vista do exposto, os hábitos do consumidor brasileiro é altamente influenciado pela atuação de empresas, seja aquelas que atuam nas mídias produzindo propagandas, como as fabricantes dos produtos. Dessa forma. faz-se necessário uma regulamentação das publicidades por parte do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária, sobretudo no que tange ao impacto produzido por elas ao induzirem indiscriminadamente a compra de produtos supérfluos, com o objetivo de desassociar o “ter” do “ser”. Além disso, a Secretaria Nacional do Consumidor deve combater a obsolescência programada por meio do estabelecimento de multas previstas em lei para empreendimentos que façam uso desta prática, bem como definir um espaço mínimo de tempo entre lançamentos de produtos de uma mesma linha. Assim sendo, será possível que os hábitos de consumo do brasileiro sejam mais conscientes.