Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 23/08/2018
Para Oscar Wilde, que viveu no século XIX, época de grande avanço do racionalismo, “O primeiro passo é indissociável à evolução de um homem e/ou nação”. Dessarte, hodiernamente, com a mudança dos hábitos de consumo na sociedade brasileira, no qual o ter é mais importante que o ser, a frase do escritor sintetiza uma necessidade para mudar essa situação: sair da inércia. Para tanto, é necessário analisar as ingerências sociais e culturais que geram essa supervalorização do consumo.
É preciso considerar, antes de tudo, que a mercadoria possui um valor simbólico. Diante disso, no século XIX, mesmo o Brasil sendo um país de clima tropical, era comum pessoas mais abastadas usarem trajes pomposos e extravagantes como forma de diferenciação social. No entanto, atualmente, a possibilidade de comprar produtos que possuem certo valor comunitário representativo surgiu como uma forma mais prática de demonstrar essa desigualdade entre os membros da população, ou seja, pessoas que não possuem poder de compra são excluídas socialmente. Em virtude disso, a posição, o prestigio e o respeito social não são mais designados pelas qualidades e capacidades individuais, mas sim pelos produtos que integram o dia a dia desse indivíduo. O problema, porém, não se resume a essa situação.
Outrossim, é imperioso ressaltar que a mídia promove ideais utópicos que influenciam o consumo. Isso porque é comum observar, por exemplo, propagandas caracterizando carros que deixam homens mais atraentes, perfumes que fazem com que mulheres encontrem um grande amor ou, até mesmo, criam um mundo encantado quando são designadas às crianças. De fato, essa adequação de valores, promovida pelos meios de comunicação, faz com que haja um consumo alienado, isto é, a mercadoria não é vista pelo seu real significado, mas sim pelo “fetichismo” criado em torno dela. De acordo com o filósofo Karl Marx, é esse “fetichismo” em relação à mercadoria que cria as necessidades e caracteriza os consumidores, posto que a busca pelas fantasias crias pela mídia fazem parte da realidade social.
Urge, portanto, a proeminência de medidas para esse revés. Para tanto, cabe à escola e às ONGs, em parceria, trabalhar, mediante palestras, discussões e projetos educacionais, o senso crítico dos jovens, a fim de que possam questionar os valores que são apresentados para eles e ver o consumo não como uma possibilidade de alcançar ideais fajutos, mas como forma de suprir necessidades. Ademais, compete à família formar cidadãos sociais que consigam se desvencilhar da lógica de que o ter é mais importante que o ser, indivíduos mais empáticos que consigam ver no outro não apenas o seu poder de compra, mas as suas potencialidades individuais. Somente assim, com atitudes fortes e bem direcionadas o primeiro passo levará a ruptura dessa supervalorização do consumo.