Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 04/09/2018
De acordo com o Existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, no século XX, a liberdade de escolha é refletida nas condições de existência do ser. Portanto, cabe ao homem ser responsável por suas ações. Porém, no Brasil, em pleno século XXI, isso não passa de uma teoria, visto que os maus hábitos de consumo faz-se presente no país - o que explicita a falta de Políticas Públicas para a formação plena do cidadão.
É inquestionável que as autoridades governamentais brasileiras já adotam medidas que primam pela efetivação de uma sociedade justa e coesa. Pode-se mencionar a sua própria Constituição Federal, cujo objetivo é – dentre outros direitos - assegurar a todo e qualquer cidadão, independentemente de sua natureza, condições de liberdade de escolha de maneira ética. Isso, de certa forma, demonstra que o Estado intenta responsabilizar o homem por suas ações.
Contudo, medida como essa ainda não é o suficiente para a promoção de um contexto social favorável ao desenvolvimento da nação no que tange ao consumo consciente, pois até agora percebem-se atitudes irresponsáveis, constata-se isso através da realização de compras sem necessidade, uma vez que com estímulos comercias e sociais de manter ou elevar “status”, as mesmas deixam de ser feitas por necessidade, mas impulsionadas pela busca da satisfação, de desejos supérfluos ou emoções que rapidamente se esvaem, e, por consequência, conduzindo o indivíduo a despesas superiores ao seus rendimentos mensais, como verificado através da POF - Pesquisa de Orçamentos Familiares-, aonde 68,4% das famílias brasileiras se encontram nesta situação. Isso está relacionado à ausência de princípios que regem o comportamento humano, resultante do baixo nível educacional oferecido à maior parcela da sociedade brasileira, ainda incapaz de agir e desenvolver-se eticamente em situações cotidianas. A verdade é que maus hábitos de consumo não serão atenuados, enquanto o sistema educacional não for pautado nos princípios existencialistas. Comprova-se isso pelo pensamento do filósofo francês Jean-Paul Sartre: “O homem é condenado a ser livre, porque depois de atirado neste mundo torna-se responsável por tudo que faz”.
Depreende-se, pelos fatos expostos, que há uma necessidade de maiores investimentos educacionais voltados para a formação do cidadão. Portanto, é plausível que haja - por parte do Estado – não só uma ampliação do currículo escolar da Educação Básica a fim de contemplar o componente curricular de Educação Financeira desde o Ensino Fundamental, como também a realização de palestras comunitárias, com a finalidade de despertar e promover comportamentos conscientes em relação ao consumo sensato. Dessa forma, ter-se-á uma nação detentora dos princípios existencialistas.