Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 07/09/2018
Segundo o Existencialismo, doutrina filosófica surgida na França, no século XX, a liberdade de escolha é refletida nas condições de existência do homem. Portanto, cabe-lhe ser responsável por suas ações. Porém, no Brasil, isso não passa de uma teoria, visto que os maus hábitos de consumo se fazem presentes - o que explicita a falta de Políticas Públicas para a formação plena do cidadão.
É indubitável que o governo brasileiro já adota medidas que primam pela efetivação de uma sociedade justa e coesa. Pode-se mencionar não apenas a sua própria Constituição Federal, cujo objetivo é –dentre outros direitos- assegurar a todo e qualquer cidadão, independentemente de sua natureza, condições de liberdade de escolha de maneira ética, mas também o SPC-Serviço de Proteção ao Crédito-, com o fito de contribuir e desenvolver o mercado comum concedendo crédito a nação . Isso, de certa forma, demonstra que o Estado intenta responsabilizar o homem por suas ações.
Contudo, medidas como essas ainda são insuficiente para a promoção de um contexto social favorável ao desenvolvimento da nação no que tange ao consumo consciente, pois o que se observa é a realização de compras sem necessidade, uma vez que, com estímulos sociais e comercias, as mesmas deixam de ser feitas por necessidade, mas sendo, diferentemente, impulsionadas pela busca da satisfação de desejos supérfluos, de manter ou elevar “status” ou emoções que rapidamente se esvaem, conduzindo, por consequência, o indivíduo a despesas superiores ao seus rendimentos mensais, como verificado através da POF-Pesquisa de Orçamentos Familiares-, em que 68,4% das famílias brasileiras se encontram nesta situação. Isso está relacionado à ausência de princípios que regem o comportamento humano, resultante do baixo nível educacional oferecido à maior parcela da sociedade brasileira, ainda incapaz de agir e desenvolver-se eticamente em situações cotidianas. A verdade é que maus hábitos de consumo não serão atenuados, enquanto o sistema educacional não for pautado nos princípios existencialistas, afinal “O homem é condenado a ser livre, porque depois de atirado neste mundo torna-se responsável por tudo que faz”, diz o filósofo francês Jean-Paul Sartre.
Depreende-se, pelos fatos expostos, que há uma necessidade de maiores investimentos na Educação Básica – já previstos pela Lei de Diretrizes e Bases número 9.394/96. Portanto, é plausível que haja - por parte do Estado – não apenas uma ampliação do currículo escolar da Educação Básica a fim de contemplar aulas de Educação Financeira desde o Ensino Fundamental, como também, em parceria com as escolas, a realização de palestras comunitárias e projetos sociais,com a finalidade de despertar e promover comportamentos conscientes em relação ao consumo sensato. Dessa forma, ter-se-á uma nação detentora dos princípios existencialistas.