Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 01/11/2018
Segundo Jean Paul-Sartre, filósofo francês existencialista, o ser humano é livre e responsável; cabe a ele escolher seu modo de agir. Sendo assim, recai sobre o homem o dever de se tornar mais responsável e consciente dos seus atos. A problemática inerente aos hábitos de consumo no Brasil, adversidade que traz consequências às engrenagens sociais, reflete essa realidade. Desse modo, é necessário que o Estado, aliado à população, encontre meios eficazes para mitigar tal quadro.
Deve-se pontuar, de início, que, com o advento do capitalismo e, posteriormente, da globalização, a sociedade pós-moderna adquiriu características peculiares, como o consumismo exacerbado. Isso ocorreu devido, principalmente, à lógica capitalista, a qual impõe ao indivíduo — por meio de propagandas e banners publicitários — a necessidade de possuir produtos e bens de consumo, se enquadrando, dessa forma, aos padrões sociais vigentes. Vale ressaltar que os hábitos impulsivos de consumo são construídos e modelados durante a infância, segundo a Associação Brasileira de Psicologia. Por conseguinte, a presença dos pais e da escola é fundamental na vida dos filhos.
Dessa maneira, o debate ora proposto centrar-se-á, também, nos malefícios gerados pelo consumo irresponsável e inconsciente. A larga distribuição de sacolas plásticas nos supermercados, por exemplo, local em que as práticas consumistas são notórias, é preocupante do ponto de vista ambiental: além de não serem biodegradáveis, há pouca consciência dos cidadãos acerca da coleta seletiva de lixo. Assim, tais sacolas podem causar a obstrução de canais pluviais, ocorrendo as enchentes nas cidades urbanas e, consequentemente, a proliferação de doenças, como a leptospirose. Além disso, há a ideia de superioridade social, a qual é sustentada pelo fato de possuir ou não algo de valor agregado de status privilegiado, incitando a rivalidade indireta entre a sociedade.
Posto isso, medidas públicas são necessárias para alterar esse cenário. Cabe ao Ministério da Educação elaborar materiais didáticos, como pequenas histórias em quadrinhos, para alunos do ensino fundamental e médio, com um conteúdo que aborde acerca das consequências dos hábitos de consumo, conscientizando, desde cedo, os jovens. O Governo Federal, aliado a ONGs sociais e à mídia, deve promover palestras públicas nos grandes centros urbanos — ministradas por psicólogos e pedagogos — alertando aos pais a importância de cultivar hábitos conscientes e responsáveis em seus filhos. Destarte, tal adversidade será, ao longo dos anos, atenuada.