Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 02/04/2019
O conceito de modernidade liquida, idealizado por Zygmund Bauman, explica a pós-modernidade centrada nas relações flexíveis de “sonhos” de consumo, que passaram a definir a identidade e a razão de ser. Da mesma forma, no Brasil contemporâneo, o consumo tem lugar central na vida em sociedade. Toda via, o consumo é hábito e necessidade, por isso se não for feito de forma consciente acarreta efeito danoso nas relações sociais.
O cidadão brasileiro em geral não apresenta educação financeira adequada, o que evidencia os descuidos no uso do cartão de crédito e desconhecimento dos serviços a que custeia. Segundo pesquisa do SPC Brasil, em 2018, quase metade das famílias brasileiras gastaram mais do que ganharam. Percebe-se, então, que o brasileiro por vezes compra mais do que pode paga para atender desejos pessoais e ícones de statos. Também, isso desarmoniza as finanças familiares, pois secundariza as reais prioridades em detrimento de desejos momentâneos.
No viés social e psicológico, o consumo se tornou fundamental no mundo capitalista para segregar as classes sociais de maior e menor poder aquisitivo. Para Leandro Karnal, em seu livro “O inferno somos nós”, o consumo passou a definir o bem-estar social e aparente felicidade, assim noção esta passada desde a infância às pessoas por meios midiáticos e redes sociais. Percebe-se, ainda, que com o intuito de fomentar a indústria, as relações de consumo se tornaram símbolos de afeto e satisfação, mesmo que ilusórios.
Por fim, com o fito de intervir positivamente no problema é imprescindível que o Ministério da Educação e Cultura aliado ao SPC preconizem e custeiem campanhas midiáticas nos canais de comunicações televisivas voltadas à sociedade, com o intuito pedagógico, ensinando noções básicas de educação pecuniária e formas de solucionar dívidas e para criar alternativas de consumo conscientes. Assim, acredita-se que as relações líquidas de consumo deixem de ser um pesadelo para muitas famílias brasileiras.