Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 15/04/2019
O American Way of Life - padrão estadunidense caracterizado pelo superconsumo - inaugurou a visão da felicidade sendo conquistada pela compra desenfreada de produtos. No Brasil, esse hábito perdura até os dias atuais e, nesse sentido, convém a análise das principais causas e consequências, além da possível medida relacionada a esse fenômeno.
Em primeiro plano, verifica-se uma forte influência midiática sobre a vida do brasileiro. A Indústria Cultural, termo criado pelos sociólogos Adorno e Horkheimer, exerce grande domínio na sociedade ao aliar-se aos meios de comunicação em massa. Ela se baseia no controle do consciente e inconsciente das pessoas, valendo-se da criatividade e originalidade do marketing, vendendo produtos considerados indispensáveis ao cotidiano e com o seus usos propagados por celebridades, filmes e programas de televisão. Por quantas vezes o indivíduo se depara com algum famoso dando dicas de mercadorias essenciais e não resiste ao ímpeto de adquiri-las? Além disso, os mecanismos de manipulação de dados na internet corroboram para o consumismo ao reunirem pesquisas feitas pelos internautas e exibirem constantemente os produtos mais procurados em forma de propaganda nas redes sociais do mesmo.
Por consequência desse contexto, surge a manutenção do status na sociedade e o preconceito social. Em um grupo social marcado por elevada ostentação de bens, o homem é obrigado a manter o seu status de consumidor ativo para ser aceito no mesmo e, com isso, surge a necessidade comprar excessivamente o que, na maioria das vezes, não faz diferença alguma na sua própria vida. Esse anseio pelo reconhecimento pode prejudicar o psicológico do ser humano, levando-o à frustração por não conseguir alcançar os seus objetivos e vigorando o sentimento de incapacidade. Ademais, os que não tem condições financeiras de contribuir com a cultura de massa são excluídos da sociedade em que vivem, que acaba sendo dividida entre “pobres” e “ricos”. Essa divisão provoca alto índice de preconceito, disseminado pela classe alta da população. De acordo com o Datafolha, 30% dos brasileiros sofrem discriminação por causa da classe social.
Portanto, conclui-se que os hábitos de consumo no Brasil são alarmantes e interferem na vida do povo. A comunidade deve erradicar essa visão de consumo como prioridade - por meio de debates sobre a importância de determinados produtos no dia a dia e a reflexão sobre desigualdade social - a fim de contribuir para uma sociedade mais igualitária e consciente.