Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 02/04/2019
Quando o sociólogo Zygmunt Bauman, no livro “Vida para Consumo”, diz que “na sociedade dos consumidores, ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria”, discorre sobre como o advento da sociedade capitalista de consumo tornou as populações ao redor do mundo um elemento pertencente e inerente à lógica mercadológica. Dessa forma, a população brasileira encontra-se também sob foco desse mecanismo e se configura, assim, um problema, visto que a falta de educação financeira aliada à intensa publicidade por parte da mídia incentiva hábitos errôneos de consumo.
É relevante abordar, primeiramente, que, apesar da recente aderência da disciplina à BNCC (Base Nacional Comum Curricular), a educação financeira ainda é pouco discutida no Brasil, tanto durante o período escolar quanto durante o período profissional, criando e mantendo, então, uma população carente de consciência financeira e que facilmente é atraída às famosas “armadilhas do consumo”. Portanto, pode-se relacionar o dado do SPC (Serviço de Proteção ao Consumidor) que afirma que apenas uma em cada dez pessoas podem ser consideradas consumidoras conscientes à desinformação popular caracterizada, principalmente, pela omissão do Estado, que além de tudo falha em garantir o bem-estar geral garantido na Constituição de 1988.
Na obra “Admirável Mundo Novo”, o autor Aldous Huxley descreve uma sociedade distópica na qual, devido ao fluxo excessivo de informações, as pessoas perderam a capacidade contestar o que lhes eram proposto. No Brasil hodierno, consegue-se notar traços dessa característica quando se analisa a relação da mídia com o consumo, pois, com a difusão dos meios midiáticos alternativos como a internet, tem-se ainda mais uma sociedade que valoriza o “ter” em detrimento do “ser”. Com isso, a população brasileira por meio de ações, muitas vezes impensadas, adquire produtos não condizentes ao seu orçamento e acaba por endividar-se, ficando presa diante dos juros e, novamente, devido a falta de educação financeira, sem encontrar uma possível solução para a bola de neve.
Infere-se, portanto, que a atenuação dos empecilhos vivenciados pelo povo brasileiro devido aos hábitos de consumo não se apresenta como tarefa fácil, porém torna-se-á a partir de uma abordagem educacional. Destarte, cabe ao Ministério da Educação, visando alterar a óptica de consumo do público infanto-juvenil, realizar através de redes sociais a propagação de um debate acerca da importância da do consumo consciente e da educação financeira. Por outro lado, o Ministério da Cidadania deve, além de realizar ações semelhantes às anteriores para o público adulto em redes televisivas, junto ao Conselho Nacional de Autorregulação Publicitária garantir maior rigidez no combate a publicidade tóxica à consciência e aos hábitos de consumo da população.