Os hábitos de consumo no Brasil

Enviada em 02/04/2019

O livro norte-americano “Os delírios de consumo de Becky Bloom” retrata o triste cotidiano de uma jovem refém de hábitos consumistas comprometedores da ordem de sua vida,uma vez que, Becky envolve-se em problemas no trabalho,com familiares e amigos.Todavia, fora da esfera literária, essa também é a realidade de milhares de brasileiros,  atraídos -geralmente- por ofertas que tendem a conferir uma falsa necessidade de adquirir determinados produtos, consequentemente, essa problemática afeta diretamente duas instâncias principais: econômicas e sociais.

De fato, após a Revolução Técnico Informacional o número de pessoas com dificuldades de administrar seus orçamentos cresceu a medida em que as propagandas se expandiram e alcançaram o propósito de persuadir sua clientela.Nesse ínterim, a célebre frase “a massa mantém a marca,a marca mantém mídia e a mídia controla a massa “do escritor George Orwell evidencia o ciclo ininterrupto do consumismo e o resultado desses atos impensáveis:o agravamento das crises financeiras.Sob esse prisma,o irrisório critério de analisar a necessidade ou não de comprar o que é sugerido nos comerciais gera patologias vinculadas a uma carência que não pode ser supridas no ato da compra.

Outrossim, o consumo exacerbado corrobora com o aumento nas taxas de doenças psicossomáticas, visto que, a compulsão gera ansiedades para atingir o objetivo de alcançar suposta “felicidade” por meio de produtos,o que compromete a vida social dos indivíduos. Nessa vereda, pode-se depreender metaforicamente a partir dos versos da música de Legião urbana -Geração Coca-Cola- “desde pequenos nós comemos lixo;comercial e industrial” que as mazelas sociais enfrentadas pela sociedade ,em sua maioria, é fruto da má digestão desses lixos impostos nas mídias televisivas e digitais. Sob essa óptica,é pueril acreditar que o corpo social tem autonomia para adquirir seus produtos, pois está condicionado aos padrões ditados pelo mercado, menosprezando suas identidades,preferências e a real necessidade.

Destarte, é imperioso que as instituições sociais aliem-se para mitigar os impasses do consumismo desenfreado. Portanto, é papel da família em parcerias com o corpo docente ensinar desde a infância sobre quão importante é cultivar e apegar-se a laços afetivos em detrimento de amor aos produtos, tais aprendizados podem ser transmitidos por meio de dinâmicas mensais nas ditas “reuniões de pais e mestres” acompanhados pelos alunos.Ademais, cabe as IES-Instituições de Ensino Superior- por meio de suas pesquisas de extensão para acadêmicos do curso de administração,ciências sociais e psicologia promover mutirões que ajudem a sociedade a ter um consumo consciente e saudável.Talvez assim,casos como o de Becky ficarão restrito aos livros e filmes.