Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 02/04/2019
De acordo com Arjun Appadurai, professor indiano de mídia e comunicação, a chave para entender o mundo atual é a imaginação, já que vivemos em comunidades imaginárias que são globais em sua extensão e o cenário financeiro que constituem essa dimensão, reflete quase que instantaneamente a transferência de todo capital da sociedade em direção a um mundo volátil. Atualmente, essa realidade pode se verificar onipresente no país, quando se discute sobre os hábitos de consumo brasileiro. Nessa perspectiva, cabe analisar a forma de produção moderna como uma ferramenta programada para estimular o consumo e submergir a sociedade à alienação.
Em primeiro lugar, é preciso destacar como os meios produtivos são capazes de persuadir a prática consumista. Em 2010, um documentário americano conhecido como: A História Secreta da Obsolência Programada, refletia sobre o modo de fabricação proposital do mercado, responsável por encurtar a vida útil dos produtos e gerar o consumismo desenfreado. Assim como retratado na curta-metragem, a disseminação desse meio de produção desenvolveu nas pessoas a premência de obter bens materiais para suprir seus desejos de consumo. Entretanto, assim como defendia o filósofo alemão Schopenhauer, a tentativa de satisfazer os desejos humanos, principalmente relacionados à apropriação de bens materiais são irremediáveis, porque eles nunca são totalmente saciados.
Ademais, vale ressaltar sobre a influência consumista que permeia a sociedade e se torna indivisível à vida das pessoas. Segundo o sociólogo Karl Marx, a produção em massa gera consumidores alienados sem discernimento do que consomem devido à variedade de produtos que são lançados ao mercado. Diante disso, as pessoas são estimuladas pela mídia ou pelos padrões estéticos da moda a consumir o que os fabricantes disponibilizam, mas sem se limitar à suas necessidades como recurso para o ato da compra. A exemplo disso, os dados disponibilizados pelo Indicador de Consumo Consciente (ICC), informou que em 2017 cerca de 30% dos brasileiros compravam sem consciência.
Portanto, é muito importante que mudanças se configurem no Brasil, em função de construir uma sociedade informada sobre os hábitos consumistas. Desse modo, cabe ao poder midiático, com envolvimento do Ministério da Educação (MEC), desenvolver um programa com participação de educadores e especialistas no mercado de consumo para instruir a população a utilizar conscientemente o seu capital, evitando o contato das pessoas com a compra desenfreada de produtos desnecessários para suas vidas. Assim, como já defendia o especialista Arjun Appadurai a comunidade imaginária atual se configurará de outra forma, porque o seu capital não se lançará ao mundo do consumismo, mas será utilizado com autonomia para investir nele.