Os hábitos de consumo no Brasil
Enviada em 02/04/2019
Com a crise de superprodução do modelo fordista em 1929, o impulsionamento do consumo tornou-se uma estratégia para aumentar a margem de lucro. Dessa forma, pode-se perceber que a sociedade contemporânea incorporou o consumo como centro das relações sociais. Assim, as propagandas apelativas em diversos meios de comunicação aliadas à baixa educação financeira dos brasileiros estão intimamente relacionados aos transtornos psicológicos atuais e endividamentos insustentáveis.
Em primeira instância, o intenso uso dos meios de comunicação de massa para propagar ideais de consumo romântico tem um grande impacto no indivíduo. Por isso, quando os sociólogos Adorno e Horkheimer analisaram as estruturas de uma indústria cultural voltada para o convencimento do público aos interesses das classes dominantes, ressalta-se a necessidade de ter responsabilidade com o produto artístico que acaba moldando o comportamento dos brasileiros. Devido a um esforço diário de convencer aos interlocutores sobre a necessidade de consumir artigos mesmo sem a necessidade, cria-se hábitos de consumo compulsivos reconhecidos mundialmente como um transtorno psicológico: a oniomania.
Ademais, sob essa mesma dinâmica social, diversos brasileiros usam vias de financiamento como cartões de crédito, empréstimos e cheques especiais para obter uma mercadoria. À vista disso, Marx disserta que o fetichismo de mercado, isto é, a romantização do consumo, é capaz de sobrepor os aspectos emocionais de um indivíduo e reduzir sua capacidade de análise crítica. Isso posto, o endividamento é um fenômeno comum, especialmente quando as principais opções de pagamento oferecem taxas de juros muito altas e há falta de planejamento. Justamente por não ter habilidades econômicas desenvolvidas, lares por todo o Brasil passam por um comprometimento na renda familiar.
Portanto, é necessário modificar os aspectos culturais e educacionais que desencadeiam os hábitos de consumo tão nocivos aos brasileiros. Para isso, é necessário a atuação do Poder Público, em figura do Ministério da Educação e Ministério da Economia, no apoio para estimular condutas sustentáveis na economia doméstica. Logo, é competência do Ministério da Economia agir por meio da disponibilização gratuita de orientações para consumo consciente nas diversas mídias disponíveis para para desestimular o consumo compulsivo. Além disso, o Ministério da Educação deve iniciar urgentemente um processo de qualificação geral por intermédio da inclusão da educação financeira no currículo obrigatório do Ensino Médio para que todo brasileiro formado possa ter pleno entendimento do mercado financeiro, seja capaz de refletir sobre o consumo e investir seu dinheiro em ativos de forma inteligente.